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17.11.09

A nova Arca de Noé

Há dez dias que chovia sem parar.
A água cobria os campos, engrossava os rios e inundava as cidades.
Os nossos cinco primos, que moram no mesmo prédio mas em diferentes andares, já não saíam há dias e, das janelas das suas casas, assistiam àquela zanga da natureza. Parecia que lá nas nuvens alguém tinha aberto uma torneira e se tinha esquecido de a fechar. Passados dez dias de chuva a cântaros - «a cântaros» quer dizer muita chuva -, aquela rua parecia um rio. Isto é que era uma inundação! Os bombeiros, sempre prontos a ajudar, apareceram com barcos de borracha para as pessoas se poderem transportar.
Uma manhã, de repente, deixou de chover, mas a água não baixava. Aqui e além viam-se os tejadilhos dos automóveis, as árvores só tinha as copas à mostra e os candeeiros pareciam bóias de luz a enfeitar as águas. Ao décimo dia, estava a Mariana à janela de casa, mesmo com a água a passar ao alcance das mãos, quando se ouviu um ladrar de socorro!
Em cima de uma árvore, um cão preto e branco tentava equilibrar-se para não cair à água.
A Mariana e a Francisca nem perderam tempo:
- Vamos salvar aquele canito senão ainda se afoga!
Por baixo da janela ia a passar um dos barcos de borracha dos bombeiros e as nossas primas entraram logo em acção:
- Ó senhor bombeiro, pare aqui e dê-nos boleia.
E logo as duas se atiraram para dentro do barco.
O motor começou a roncar em alta velocidade e, passados instantes, estavam junto do cão aflito.
Um salto para dentro do barco e o animal foi salvo. A alegria era tanta que começou a lamber a cara das primas. Lambuzadas e felizes, já vinham de volta para casa quando ouviram o Max e o Xavier aos gritos:
- Ó primas, ó primas, olhem para aquela família de gatos ali ao fundo.
O Max e o Xavier, lá do segundo andar, tinham avistado uma família de gatos a boiar dentro de um caixote de fruta. Quando o barco passou pela casa dos primos, o Max e o Xavier desceram pendurados pelos lençóis das camas e saltaram lá para dentro.
- Depressa, vamos salvar os gatos! - gritou o Max, que adora bichanos.
O barco lá partiu a toda a velocidade e, em pouco minutos, a família dos gatos era salva mesmo no momento em que o caixote se afundava.
Mas a aventura ainda não tinha acabado. Lá no terceiro andar, o Lourenço tinha visto um papagaio numa gaiola do prédio em frente a tremer de medo aos berros:
- Tirem-me daqui que já tenho as patas molhadas!
Sim, porque os papagaios falam como as pessoas.
Com a ajuda de uma cana de pesca muito comprida, o Lourenço conseguiu tirar o papagaio da gaiola inundada e desceu com ela para dentro do barco.
E assim, no espaço de minutos, estavam naquele barco de borracha: os primos, um cão, um gato, uma gata e três gatinhos, um papagaio e...




Para conhecer o resto da história, procura o livro

«A nova Arca de Noé - Cabem sempre mais cinco»
de Júlio Isidro
ASA

10.11.09

A castanha: Rainha do Magusto



Este é o momento do ano em que a castanha é rainha de todas as festas!

Estejam atentos a todas as actividades que vão ser dinamizadas no Agrupamento para festejar o Magusto!


Imagine-se: há mais de 100 mil anos que a castanha acompanha a história humana. Os nossos antepassados descobriram na pequena noz um aliado calórico. Romanos e gregos adoravam-na.


• A palavra latina castanea (do grego kastanon) como origem dos termos castanheiro e castanha.
• Presume-se que a castanha seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso, acompanhando a história da civilização ocidental desde há mais de 100 mil anos.
• A par com o pistácio, a castanha constituiu um importante contributo calórico ao homem pré-histórico que também a utilizou na alimentação dos animais.
• Os Gregos e os Romanos colocavam castanhas em ânforas cheias de mel silvestre. Este, conservava o alimento e impregnava-o com o seu sabor. Os romanos incluíam a castanha nos seus banquetes.
• Durante a Idade Média, nos mosteiros e abadias, monges e freiras utilizavam frequentemente as castanhas nas suas receitas. Por esta altura, a castanha, era moída, tendo-se tornado mesmo um dos principais farináceos da Europa.
• Com o Renascimento a gastronomia assume novo requinte, com novas fórmulas e confecções. Surge o marron glacé, passando de França para Espanha e daí, com as Invasões Francesas, chegando a Portugal.






(Bastar clicar na imagem para a aumentar e ler a história)






27.10.09

O que os alunos pensam da biblioteca...



A Equipa da Biblioteca / Centro de Recursos - BECRE - propôs aos meninos do 5º ano um jogo, o «CRE PAPER», para os ajudar a conhecer melhor este espaço da escola.


Hoje, registamos as opiniões de alguns alunos do 5ºC.



«É o local onde as pessoas deveriam ir para estudar e para desenvolver a leitura... Por isso, agora vou quase todos os dias para a biblioteca, para estudar, requisitar livros, jogar jogos no computador... Por agora, é o melhor sítio da escola!»

Leonor Sousa - 5ºC



«Na biblioteca, tem que se ter respeito pelas pessoas, não fazer barulho, pedir autorização... Devemos ter cuidado com tudo para preservar o espaço. É um local engraçado e bom para estudar. Adoro ir à biblioteca.»


Inês Faustino - 5ºC




«Podemos estudar, pesquisar para a escola, fazer os trabalhos de casa, ver filmes, jogar computador, jogar jogos de tabuleiro, ler uma quantidade enorme de livros de todo o tipo de temas, cores, efeitos... Coisas que eu acho muito bom para uma biblioteca escolar.
Gostei muito da minha visita à biblioteca.»

Daniel Silva - 5ºC




«A biblioteca é um grande livro que tem dentro muitos pequenos livros que nós crianças podemos ler. Adoro a biblioteca, o silêncio que lá existe; é tudo uma história de encantar!! É por isso que todos os livros têm a sua própria magia!»


Ana Rita Moreira - 5ºC



11.10.09

O rei mais pequeno do mundo



Era um rei. O rei mais pequeno do mundo. Porém, tinha a mania das grandezas. Exigia que os seus súbditos, isto é, toda a gente do país, o tratasse sempre por Vossa Alteza; Vossa Enormidade; Vossa Imensidade; Vossa Grandeza. Os amigos podiam tratá-lo, nos dias em que estivesse bem disposto, por Vossa Proeminência.
Andava pelo palácio pendurado em enormes andas, pernas de pau, que o faziam mais alto do que qualquer pessoa. No palácio, de resto, isso não era difícil, pois segundo uma lei, inventada, é claro, pelo próprio monarca, não podia entrar ninguém com mais de cinquenta centímetros. Em consequência, toda a corte era composta por anões e por crianças, e estas, coitadas, perdiam o emprego assim que crescessem demais.
Para sair à rua, o rei montava uma das suas girafas. Tinha quinze. Todas altíssimas – eram girafas! – e muito bonitas e bem-educadas. Só ele podia montar nas girafas. Nos livros das escolas, as crianças aprendiam que aquele era o rei mais alto do mundo (o que levava as crianças a pensar que todos os reis eram muito pequenos).
O rei, com a sua mania das grandezas, queria que as casas do seu reino fossem as mais altas do mundo, e os cães, os mais altos do mundo, e os pés de milho, os mais altos do mundo. «Tudo neste país», dizia, «tem de estar à minha altura». Como ele era o rei, os ministros diziam: «Sim, Vossa Alteza». Os generais diziam: «Sim, sim, Vossa Enormidade». O povo dizia: «Sim, sim, sim, Vossa Desmesura».
E assim ia indo o reino. Até que um belo dia a rainha engravidou. O rei viu com preocupação crescer a barriga da mulher. Por um lado esperava que de lá de dentro saltasse o maior principezinho do mundo. Por outro, se o principezinho fosse de sua natureza muito grande, não poderia ficar no palácio (era a lei), e ele também não queria isso. A barriga da rainha cresceu muito. Cresceu tanto que ela já não cabia nas portas.
Porém, quando deu à luz, as parteiras viram sair daquela enorme barriga, primeiro apenas vento, e depois um menino minúsculo.
O rei, que nunca dava o braço a torcer, mandou anunciar por todo o reino que nascera o maior príncipe do mundo. O menino, ao qual foi dado o nome de Máximo Magno, saiu ao pai. «Meu Deus!», sorria vendo-se ao espelho, «como sou enorme». O rei lembrou-se então de instalar no palácio espelhos de feira, desses que distorcem a imagem, e nos fazem parecer muito mais altos.
Máximo Magno ficou ainda mais feliz: «Sou um gigante», gritava, «nunca houve no mundo ninguém tão alto quanto eu.»
E assim ia indo o reino. O príncipe gostava de passear pelo reino mas, como era ainda mais convencido do que o pai, não usava nem andas nem girafas. Preferia seguir a pé, sozinho, para que todos admirassem a sua coragem e estatura. Ao vê-lo, as pessoas ajoelhavam-se e gritavam: «Longa vida a Vossa Eminência, o Príncipe». Uma tarde, distraído com a beleza da floresta, Máximo Magno afastou-se muito do palácio. Já ia longe, já tinha ultrapassado a linha do horizonte, quando encontrou um elefante.
— Sai da minha frente — disse-lhe com arrogância — senão piso-te. Sou o maior principezinho do mundo.
O elefante, que não era dali, viajava há muitos dias, e não conhecia a fama do rei, e nunca ouvira falar no príncipe, atira-se ao chão a rir às gargalhadas:
— Tu, pisas-me? Não conseguirias nem pisar na minha sombra.
O príncipe levantou o pé para esmagar o elefante. Não conseguiu, claro, só ele acreditava nisso, e o elefante continuou a rir. Quando conseguiu acalmar, disse ao príncipe:
— Uns nascem pequenos, outros nascem grandes. Mas ninguém nasce maior ou menor. Um dia dirão talvez que foste o maior rei do mundo, mas será por aquilo que fizeste, será porque foste um bom rei, e não por causa da tua altura.
O principezinho regressou ao palácio a pensar no que o elefante dissera. Quanto mais pensava, mais achava que o outro tinha razão. Mandou tirar os espelhos do palácio. Começou a falar com toda a gente, de igual para igual, e assim aprendeu muita coisa. Hoje, lá no reino, quando falam dele, as pessoas dizem: «É o maior Rei do mundo». E realmente acreditam nisso. Já ninguém se lembra do velho rei.


José Eduardo Agualusa
Era uma vez
Revista Pais e Filhos, s/d
adaptado





20.9.09

O Nuno escapa à gripe A






Querem saber como o Nuno consegue escapar à gripe A?



Basta clicar na imagem para aceder ao livro digital que pode ser lido na escola, em família, na biblioteca ou em qualquer lugar.






12.9.09

O menino que voltou a sorrir




Guardavida era um país onde outrora as pessoas tinham gostado de viver. Tanto o clima como a geografia pitoresca, bem como a boa disposição dos seus habitantes, tinham lá atraído, fosse Verão ou Inverno, muitos viajantes provenientes de todos os países. Mas, não se sabe bem porquê – tendo sido a inveja, sem dúvida, uma das razões – Guardavida conheceu em poucos meses uma das piores catástrofes que um país pode sofrer: os homens tornaram-se inimigos uns dos outros!
O pequeno reino de Guardavida foi, primeiro, saqueado e destruído por duas potências rivais, que o disputaram entre si. Conheceu, seguidamente, uma horrível guerra civil, que acabou por arruinar tudo o que restara do conflito anterior. Depois do ódio e da miséria terem cumprido o seu papel, os habitantes mergulharam num profundo desespero. O rei perdera a esposa e três filhos nos conflitos, e decretou luto nacional por tempo indeterminado.
Que turista quereria agora visitar as cidades arrasadas, os campos devastados e as estâncias balneares destruídas? Quem poderia rir ou divertir-se com uma população de refugiados, desencantados e resignados, que se havia até esquecido de que a felicidade existia?
Acontece que, uma noite, uma sentinela encarregada de vigiar as praias orientais de Guardavida se apercebeu de uma sombra estranha no declive de uma duna. De arma na mão, aproximou-se, sem fazer barulho, e ficou estupefacta com o que viu.
Deitado na cratera que uma bomba deixara na areia, estava um menino vestido de farrapos. O soldado rastejou até ao local e viu, apesar da escuridão, que a criança estava viva. De mãos atrás da nuca, com os joelhos flectidos, o menino sorria ao contemplar o enorme céu negro, no qual despontavam um crescente de lua e as primeiras estrelas.
O guarda observou a cara do menino durante um longo minuto e, depois, com a rapidez de um relâmpago, saltou para junto dele, apontando-lhe a arma.
— Alto lá! — gritou a sombra debruçada sobre a criança que, entretanto, se pusera de joelhos, com o coração a bater fortemente.
— Alto lá! — gritou de novo o soldado, como se o menino fosse fugir. — Põe-te de pé, seu malandro! Há mais de um minuto que te vejo a sorrir!
— Eu… eu não estava a fazer nada de mal — balbuciou a criança.
— Toca a andar! Não passas de um pequeno verme sorridente! — gritou o soldado, batendo-lhe com o bastão nas costas.
— Não… não sou um inimigo, não sou um estrangeiro — tentava explicar a criança, que caminhava agora rapidamente, com as mãos no ar.
— De Guardavida não és, porque sorris de noite, às escondidas. És um malandro que não respeita o nosso luto nacional, um foragido que troça da nossa mágoa e dos nossos mortos!
— Mas… mas… eu estava a sorrir sem me dar conta — dizia o menino, já sem fôlego. — Sorria por causa do primeiro crescente de lua: os meus lábios imitaram a sua forma. Sorria porque a areia está morna e a noite é suave…
— Como? Morreram milhares de Guardavianos nestas praias, a defender a sua pátria. Estas dunas, crivadas de bombas, de balas e de granadas, ficaram juncadas de cadáveres!
E o soldado bateu com força na cabeça do menino, que caiu por terra. Mas em breve se levantava, segurando um punhado de areia na mão.
— Veja, veja como esta areia é morna e suave e…
Quando o soldado se preparava para bater de novo na criança, ela atirou-lhe a areia aos olhos e desatou a fugir.
O menino correu pela noite dentro até ao alvorecer. Embora estivesse há muito fora do alcance do soldado, sentia-se inquieto. Resolveu refugiar-se durante o dia numa pequena floresta de bétulas prateadas, e voltar à estrada ao anoitecer.
Começou a avançar pela floresta dentro, guiado pelo murmúrio da água que deslizava sobre os seixos. Acabou por se sentar na margem de um pequeno riacho que se divertia a serpentear por entre os salgueiros. A luz desta manhã de Abril penetrava através das folhas cor de amêndoa e fazia brilhar os troncos das bétulas. Milhares de estrelas reluziam na superfície da água.
A criança, que, em silêncio, desfrutava do espectáculo sempre novo da água, do ar e da luz, maravilhou-se com o aparecimento fulgurante de um guarda-rios. Era como se quatro anos de guerra tivessem poupado este pequeno paraíso no coração de Guardavida. Como se as andorinhas, os tentilhões e os chapins, que chilreavam e saltitavam, nunca tivessem ouvido o troar dos canhões, o zunir das balas, o estertor dos moribundos e as queixas dos sobreviventes. Aqui, a água que brotava de uma nascente pura e corria sobre os seixos continuava a ignorar a cor do sangue.
A criança, exausta, deitou-se no musgo e acabou por adormecer, embalada pelo canto dos pássaros. Enquanto dormia, sorria para os anjos do céu azul.
Desta vez, não foi uma sentinela mas uma patrulha inteira que o acordou, em sobressalto. Através do sol ofuscante do meio-dia, a criança conseguiu distinguir seis rostos ameaçadores debruçados sobre ela.
Momentos depois, de mãos atadas e boca amordaçada, o menino foi conduzido à cidade mais próxima e atirado para um calabouço sombrio.
Passaram-se dois dias e duas noites intermináveis, durante os quais, a criança, cheia de fome e com o corpo pisado, só não sucumbiu ao desespero porque pôde respirar o cheiro de uma glicínia, que se estendia pela parede exterior da prisão.
Na manhã do terceiro dia de prisão, trouxeram-lhe finalmente um pouco de pão e água, e fizeram-no comparecer, em seguida, perante os juízes. Numa sala enorme, com paredes de pedra, três homens com vestes compridas debruadas a arminho branco estavam diante dele, enquanto uma multidão cinzenta e agitada murmurava nas suas costas.
— Estrangeiro! — começou um dos juízes. — É acusado de ter entrado ilicitamente no nosso país, de ter agredido um dos nossos guardas fronteiriços e, sobretudo, de ter desrespeitado, por duas vezes, o luto nacional decretado pelo nosso soberano, mostrando assim o seu desprezo pela dor e mágoa dos nossos concidadãos. É uma ameaça à paz do nosso reino e incorre na pena capital, reservada aos traidores da pátria. Reconhece todos estes factos?
— Mas — respondeu a criança — eu nasci em Guardavida, há dez anos, mais ou menos, e…
— Admito que pareces conhecer a nossa língua — interrompeu o segundo juiz, sentado à direita do primeiro. — Mas quem pode provar que és um Guardaviano, se não encontramos nenhum documento de identificação na tua roupa esfarrapada?
— Todos os meus haveres foram-me roubados há dias, enquanto dormia ao relento. Os meus pais deviam ter o que procurais, mas foram mortos num bombardeamento há três meses.
— Mentes! — interrompeu secamente o terceiro juiz. — Se os teus pais tivessem morrido num bombardeamento, não sorririas durante o sono.
A multidão soltou uma exclamação de espanto.
— Mas eu senti uma grande dor quando os meus pais foram mortos, e continuo a sentir uma pena imensa. Às vezes, choro sozinho, com o estômago contraído, e cerro os punhos para não gritar…
— Quando tentaram prender-te na costa oriental, a sentinela assegura que sorrias sozinho e que troçavas da morte recente dos teus pais!
— É que, quando penso nos passeios que dei com o meu pai, quando me lembro das suas brincadeiras, quando revejo os olhos da minha mãe e me dou conta do tesouro que eram os beijos que me dava antes de dormir, o meu rosto ilumina-se de felicidade.
— Não negas, então, que és incapaz de respeitar o nosso luto. Seis testemunhas ajuramentadas viram-te sorrir para os anjos, no dia a seguir ao teu primeiro delito!
— Estava contente — disse a criança — por ouvir os pássaros cantar e o rio murmurar por entre os seixos. A descoberta dos primeiros lírios de água, o perfume de uma flor selvagem, aqueciam o meu coração. Às vezes, esqueço-me da minha tristeza quando vejo o sol brilhar na água ou brincar com as nuvens. Gosto de ver o vento acariciar as ervas ou dançar nos ramos dos salgueiros…
Um longo murmúrio elevava-se agora da multidão, como se as suas palavras tivessem despertado nas pessoas surpresa, consternação e cólera.
— Basta! — disse o primeiro juiz, batendo com o martelo na secretária. — Esta criança clandestina que reconhece os seus crimes perturba a ordem pública. Condenamo-la à forca, como fazemos a todos os traidores de Guardavida!
Segundo os costumes de Guardavida, todos os condenados à morte eram conduzidos diante do soberano, na véspera da execução, a fim de beneficiarem, eventualmente, de um perdão real. Infelizmente para o menino, o rei, depois que perdera a família, nunca mais acordara um perdão a nenhum acusado. Era como se a dor tivesse destruído nele, para sempre, qualquer sentimento de compaixão. Se ainda aceitava participar nesta cerimónia macabra, era mais para respeitar um costume instituído pelos seus antepassados do que para salvar a vida de algum miserável.
De facto, quando o rei se dignava olhar para alguns dos condenados, via sobretudo neles os assassinos da sua família. Se pudesse, em vez de lhes conceder algum perdão, ele mesmo lhes cortaria o pescoço.
Foi pois com uma esperança assaz diminuta que a criança foi conduzida diante dele, acompanhada por uma dúzia de prisioneiros.
Sentado numa grande sala do palácio, num trono de ébano, o rei estava absorto nos seus pensamentos sombrios.
A sua única filha ainda viva estava sentada a seu lado e acariciava os cabelos dourados de uma boneca de porcelana.
Quando os condenados entraram e foram conduzidos até ele, o rei levantou os olhos, e o seu rosto imóvel foi-os olhando, um a um, sem trair a menor emoção. Era como se os olhasse sem os ver.
De repente, ao pousar o olhar sobre o menino, o seu corpo ficou hirto, soltou um grito de cólera e os seus olhos revelaram um furor terrível.
— Insolente! Traidor! Anarquista! Como ousas, diante de mim, desprezar as minhas leis, violar o nosso luto e profanar a memória da minha própria família?
— Perdoai-me, Senhor, perdoai-me. Não queria ofender-vos nem faltar-vos ao respeito, mas a vossa filha…
— Como te atreves? — espumava o rei.
— A vossa filha tinha um ar e uns olhos tão tristes, que não pude evitar sorrir-lhe quando os nossos olhares se cruzaram… É mais forte do que eu, vem-me do mais profundo da alma e…
Mas o rei deixara de o ouvir. Observava, maravilhado, a filha, o seu único descendente vivo, a sua única consolação, uma prisioneira da tristeza há já tanto tempo. A filha sorria para a criança que ia morrer.
Passou-se uma eternidade, e todos, guardas, senhores e condenados, ficaram suspensos da reacção do rei.
O que viram então foi um autêntico milagre!
O rei, desarmado, estupefacto e hipnotizado, não conseguia desviar o olhar do rosto da filha. Pouco a pouco, começaram a ver os seus lábios a tremer e uma lágrima a correr do seu olho direito. Sorriu, emocionado, para a princesa.
Um murmúrio percorreu a assembleia, e logo uma alegria muda tomou o lugar do mais profundo desespero. Um sorriso partilhado e tranquilo emergiu da dor e das mágoas e contagiou todos quantos estavam presentes na sala.

O fim do luto nacional foi decretado naquela mesma noite; os treze condenados à morte, entre os quais a criança, foram agraciados e soltos.
A história não diz o que aconteceu ao rei, à princesa e ao menino. Sabe-se apenas que Guardavida se tornou de novo um país hospitaleiro e acolhedor, onde dá gosto viver. Sabemos também que não há dor nem desgosto tão intensos e violentos que não possam vir a ser consolados, que não possam ser redimidos pela vida sempre nova e apaixonante que nos espera.


Jean-Hugues Malineau



5.9.09

Apenas de passagem



Um turista americano, no século passado, foi visitar o famoso rabino polaco, Hofez Chaim.

Admirou-se ele ao ver que a casa do rabino era pouco mais que um quarto repleto de livros por toda a parte.

De mobília, tinha só uma mesa e um banco.

«Mas, rabino, onde está a sua mobília?», pergunta o americano.

«E a sua, onde é que está?», ecoou o rabino.

«A minha? Mas eu estou apenas de passagem; sou um visitante na cidade», responde o americano.

«Pois eu também estou só de passagem», concluiu o Rabino.



Anthony de Mello
O canto do pássaro
Lisboa, Ed. Paulinas, 1998



23.8.09

Uma companhia

Quando o criador de palavras ia já dar o seu trabalho por concluído, percebeu logo que se enganara. Cada palavra mostrava sinais de solidão e, pensando bem, ele também sentia a falta de qualquer coisa...
Foi nesse momento que lhe surgiu a ideia de criar palavras novas para acompanhar as já existentes.
Mas que ideia fantástica!!!
O criador, satisfeito, ficou a vê-las a formar pares:
O gato miou para a gata;
O sabichão conferenciu com a sabichona;
O actor contracenou com a actriz;
O leão foi caçar com a leoa;
O irmão brincou com a irmã ( e irrtou-a, claro está...!)
Mas o criador, a certa altura, afligiu-se. Então não é que, seguindo o seu exemplo, algumas palavras tiveram ataques de criatividade?!
O cão largou a correr com a cadela;
O bode namorou com a cabra;
O carneiro elogiou a lã da ovelha;
O cavalheiro deu o braço à dama!
Contudo, o criador pôde serena e sentir-se, também ele, acompanhado. Ao seu lado estava agora uma criadora, que lhe deu a mão, e, juntos, saíram a criar mais palavras!



História retirada do livro
«Chamem-lhes Nomes!»
Texto Editora




10.7.09

No Verão



(retirado de «Livro com Cheiro a Caramelo» de Alice Vieira)





No Verão, as árvores dormem.

E à tarde os meninos chegam a casa com a boca pintada de sumo de amoras.

No Verão tira-se muitas vezes o mapa da gaveta e fica-se a olhar para ele durante muito tempo. E sonha-se com lugares que têm nomes difíceis de pronunciar.

No Verão custa a distinguir onde acaba o céu e começa o mar. As praias rebentam de gente e ao fim da tarde há dois elhotes sentados na borda de um barco a ver passar os navios.

No Verão é preciso estar sempre alerta para defender os castelos de areia dos inimigos. Que chegam sempre por mar. No Verão há histórias de sereias que aparecem quando a Lua vai alta e a praia está deserta. De manhã, os meninos procuram-nas por entre as rochas e voltam com as mãos cheias de conchas e lapas e mexilhões, enquanto, à sombra, as tias trocam receitas e pontos de malha muito difíceis.

No Verão, quando se levanta a cabeça, vêem-se as sete cores do arco-íris nas riscas do toldo. No Verão, o Sol derrete-se no meio do mar quando o dia acaba. E as praias ficam, de repente, cheias de sombras e segredos.



No Verão...


(Podem continuar...)





17.5.09

Há sempre tempo para o Natal

Há quem tenha saudades do Natal que já passou...
Há quem suspire pelo próximo Natal...

Quase a meio caminho entre um e outro, aproveitamos para relembrar esta bela história, escrita pelo Renato, que obteve a menção honrosa no concurso dinamizado no 1º período pela Esc. Sec. Inês de Castro.




Numa rua iluminada, cheia de lojas bonitas e montras com brinquedos, duas crianças jogavam à bola, pés descalços e calças sujas. Eram o Rafael e o Francisco.
Enquanto brincavam, sonhavam que o pai tinha um bom emprego, que a mãe estava em casa a fazer comidas deliciosas, e que o Pai Natal ia, finalmente, trazer os brinquedos que tinham pedido (bolas de futebol autografadas, jogos coloridos, livros interessantes...), tudo o que podia encher de alegria dois meninos pequenos!
Começou a chover, o frio aumentou, e estes meninos assistiam encantados às pessoas que entravam e saíam das lojas, carregadas de lindos embrulhos e de sacos com laços. E …os garotos continuavam a sonhar... nem sentiam a chuva forte, nem o frio gélido do mês de Dezembro!
De repente, ouviu-se um chiar de pneus e um estrondo! Todos pararam... O silêncio durou dois longos minutos. De seguida, sentiram-se os passos apressados de pessoas preocupadas, os gritos de mulheres assustadas e o choro de crianças pequenas…
Os meninos pararam de jogar à bola, e começaram a correr, com toda a pressa, em direcção a um carro cinzento que tinha embatido contra um poste da luz. Tinham ouvido um bebé a chorar e ficaram preocupados, porque ninguém o ia ajudar.
Rafael, de cabelos ruivos e sardas, deu a mão ao Francisco, para correrem melhor, e depressa chegaram ao carro. Abriram a porta e pegaram no bebé que estava no banco de trás. Assim que este os viu, calou-se. Quando ele estava ao colo, sentiram o seu cheirinho agradável a água-de-colónia... não estava ferido... estava só assustado!
No meio da confusão, bastante mais tarde, surgiu então o pai do bebé, ainda atordoado da pancada na cabeça, que tinha sido projectado para fora do carro no momento do acidente. - Oh! Mafalda! Estás bem? Graças a Deus! E quem são estes pequenos heróis que te tiraram do carro?
Claro que o bebé não respondeu porque ainda não falava.
- Olá! Eu sou o Rafael e este é o meu irmão Francisco. Estávamos a jogar à bola e ouvimos o bebé a chorar. Por isso viemos logo acudir.
- Muito obrigado! Do coração! Crianças assim merecem um agradecimento especial. Quero que venham comigo a minha casa jantar e conhecer a mãe da Mafalda. Peçam as prendas que mais gostariam de receber este ano, porque, para vocês, o Pai Natal 2008 sou eu!
E foi assim que o Francisco e o Rafael tiveram um Natal diferente, cheio das prendas que tinham pedido.
Em cada ano que passa, um Pai Natal chega para todos nós!




Renato Filipe Faria Oliveira Costa Sá - 6º G


16.4.09

Alice Vieira - 30 anos de carreira...


" Porque escrevo para crianças?
Todos nós gostamos de encontrar um culpado para as aventuras em que nos metemos ... É cómodo, é fácil, a gente aponta e diz: «foi por causa dele».
Pois eu também tenho um culpado: posso espetar bem o meu dedo indicador e dizer: - O culpado foi ele. Ele é que me levou para esta vida...
Neste caso foi ela. Acho que se não tivesse sido a queixa da minha filha, eu não me teria metido nisto... Portanto, a culpa foi toda, toda dela!
Um dia a Catarina chegou a casa e disse:
- Já li todos os livros que há para ler.
Fez uma pausa e disse:
- E agora, o que é que leio?
A Catarina tinha então nove anos, lia muito: não, evidentemente todos os livros que existiam, mas todos os que habitualmente se davam a quem tinha a sua idade .
- E agora ? – repetia ela, com aquele ar solene que arranja nas ocasiões difíceis... Eu ia tentando dar uma ajuda (lê este, e mais este, e mais aquele) mas eram ajudas inuteis (já li, já li, já li...). Foi então que dei comigo a dizer-lhe:
- Então, se já leste tudo o que há, vamos nós as duas escrever um livro!
Meti papel à máquina e do bater dos dedos nas teclas saiu esta frase: «Quando a minha irmã nasceu o meu desapontamento foi tão evidente que a minha mãe, abafada entre lençóis e cobertores da cama do hospital, me disse: Ela vai crescer num instante!»
Olhei para esta frase, uma, duas, muitas vezes, e a partir dela outras vieram, e mais outras, até que o primeiro capítulo do livro estava feito. E cada capítulo que nascia era lido e discutido com a Catarina, feliz de participar naquela aventura ...
E nunca mais parei. Tudo por causa da Catarina. Que hoje continua a ler tudo, e que escreve melhor do que eu .



Antologia Diferente: De que são feitos os sonhos?
Porto: Areal Editores, 1986, pág. 181






Alice Vieira nasceu em 1943 em Lisboa. É licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1958 iniciou a sua colaboração no Suplemento Juvenil do Diário de Lisboa e a partir de 1969 dedicou-se ao jornalismo profissional. Desde 1979 tem vindo a publicar regularmente livros tendo, actualmente editados na Caminho, cerca de três dezenas de títulos. Recebeu em 1979, o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança com Rosa, Minha Irmã Rosa e, em 1983, com Este Rei que Eu Escolhi, o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil e em 1994 o Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra. Recentemente foi indicada pela Secção Portuguesa do IBBY (International Board on Books for Young People) como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen. Trata-se do mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens, atribuído a um autor vivo pelo conjunto da sua obra. Alice Vieira é hoje uma das mais importantes escritoras portuguesas para jovens, tendo ganho grande projecção nacional e internacional. Várias das suas obras foram editadas no estrangeiro.







8.4.09

Os ovos misteriosos



Era uma vez uma galinha que todos os dias punha um ovo. A galinha andava muito zangada com a dona porque todos os dias lhe tirava os ovos.
Um dia a galinha fugiu para a mata.
Apenas chegou fez um ninho muito bem feito e pôs um ovo. Antes de começar a chocá-lo foi encher a barriga de comida. A galinha demorou-se muito tempo porque ainda não conhecia a mata. Quando voltou ficou espantada ao ver o ninho cheio de ovos de todos os tamanhos e feitios. A galinha começou a chocar os ovos .
Passado algum tempo estalou o primeiro ovo e saiu de lá um bicharoco de bico retorcido que era um papagaio.
No dia seguinte nasceu uma serpente comprida e sarapintada. Na mesma tarde a galinha viu à sua frente o maior de todos os ovos, partiu-se e nasceu uma avestruz. A galinha estava cada vez mais curiosa porque ainda faltavam dois ovos. De um deles nasceu um crocodilo e a galinha ia caindo para o lado.
Do último ovo nasceu um pinto. A galinha ficou muito contente e foi mostrar a sua ninhada às galinhas do mato. A ninhada era variada e muito engraçada. As galinhas do mato aconselharam a galinha a cuidar só do pinto.
A galinha pensou:
- Eu não os posso abandonar porque os choquei com muito amor. Que outra mãe poderá tomar conta deles?
Ela de todos gostava e de todos cuidava.
Num dia tudo parecia correr bem quando apareceu um rapaz no bosque. Apanhou o frango e os seus irmãos tentaram defendê-lo. Apareceu a irmã avestruz e o rapaz largou logo o frango e foi para a aldeia.
A mãe galinha decidiu comemorar e fez um bolo de todas as coisas que eles gostam e foram felizes para sempre.


Texto colectivo - 2º C
da Escola do Viso - Setúbal
(Março de 2007)

5.4.09

Ler é...




Ler é entrar na fantasia
De um conto inimaginável
Sem darmos conta
Estamos numa miragem

Quem gosta de ler
Ou de escrever
Deve ter imaginação
Mas como ela vem
Também vai em vão


André Aragão - 5ºG







Ler é imaginar, pensar e voar
Dentro de um livro a viver a história
Sempre a rir e a chorar
Ler é inventar algo
Com o nosso próprio coração
Até podemos escrever um livro
sobre a nossa paixão
Ler é pensar que estamos num sonho a voar
Conseguir ver tudo isto nos iria animar
Ler é pensar nos sentimentos
Relembrar os amigos
É o nosso encantamento
Ler é navegar num mar
Sem nunca mais parar
E sentir as ondas a ondular...


Sara Patricia Ribeiro - 5ºG



Ler é voar
voar sobre o mundo inteiro
Mas sempre sem sair do lugar.

Ler é navegar num mar
num magnífico mar sem fim
sem nunca mais parar.

Ler é sobrevoar o céu
um céu incrivelmente azul
o céu sereno das histórias.


Mariana Coelho - 5ºG





4.4.09

Livros




Os livros


Os livros são diferentes uns dos outros
Uns servem para ler, outros para explorar,
Nos livros aprendemos a ler e a viver
E até aprendemos a voar
Os livros podem ter histórias interessantes
Sobre o mundo ou até sobre os animais
Neles aprendemos muitas coisas
Que até nos podem falar sobre os matagais
Os livros são de várias etapas,
Para crianças, adultos e adolescentes
Podem falar sobre doenças
Que podem ser de alguns doentes
Em alguns livros há poemas
E os poemas são como se fossem magia
A imaginação a entrar na nossa cabeça
Os livros são uma força
Que nos alerta sobre o bem e o mal
Com eles nós aprendemos
A nos defendermos e a crescermos...


Sofia Ferreira - 5ºG




Os dois livros


É um livro de amor
É o livro que estou a ler
Gosto muito desse livro
É esse livro que me faz viver...


É um livro de uma história verídica
É o livro abandonado
É um livro que me faz viver
É esse livro que me faz crescer...



Tânia Inês - 5ºG




3.4.09

Eu sou o mundo



Esta foi a Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil - 02 de Abril de 2009 - uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil),
Secção Portuguesa do IBBY.


Eu sou o mundo


Eu sou o mundo e o mundo sou eu,
porque, com o meu livro,
posso ser tudo o que quiser.
Palavras e imagens, verso e prosa
levam-me a lugares a um tempo próximos e distantes.

Na terra dos sultões e do ouro,
há mil histórias a descobrir.
Tapetes voadores, lâmpadas mágicas,
génios, vampiros e Sindbades
contam os seus segredos a Xerazade.

Com cada palavra de cada página
viajo pelo tempo e pelo espaço
e, nas asas da fantasia,
o meu espírito atravessa terra e mar.

Quanto mais leio mais compreendo
que com o meu livro
estarei sempre
na melhor das companhias.


Hani D. El-Masri
Tradução: José António Gomes








1.4.09

O pássaro das histórias





Um dia vi um pássaro a voar
Em vez de penas tinha folhas de papel
Em vez de cantar, punha-se a histórias contar


Depois de muito pesquisar
Descobri que não era um pássaro comum
Era o pássaro das histórias
A alma dos meus livros


Portanto, sempre que te perguntarem
«Os livros têm alma?»
Pensa no pássaro das histórias
Que estará sempre ao teu lado



Maria Barbosa - 5ºG







11.3.09

Segredos na Biblioteca... ;-)





Basta clicar na BD para a aumentar e ler melhor...