22.8.08

A Lenda de Despereaux


A história começa dentro das muralhas, com o nascimento de um rato. Um rato pequenino. o último rato a nascer de seus pais e o único sobrevivente da sua ninhada...

A autora Kate DiCamillo criou esta história sobre um ratinho, Despereaux Tilling, um herói improvável, um pequeno mas corajoso rato, diferente dos restantes ratos.

Esta é a lenda de Despereaux Tilling, um rato apaixonado por música e por uma princesa chamada Ervilha. É também a história duma ratazana chamada Roscuro, que vive na escuridão, mas anseia por um mundo cheio de luz. E é a história de Miggery Sow, uma pequena criada pouco inteligente, com um desejo simples, mas impossível. Estas personagens estão prestes a embarcar numa viagem que as fará descer a umas terríveis masmorras, subir a um castelo cintilante e, por fim, entrar nas vidas umas das outras...



Ovos cozidos

«Era uma vez um pobre carvoeiro
que tinha duas filhas.

A mais velha envergonhava-se do pai
porque andava sempre sujo e mal vestido.
Para disfarçar a pobreza,
passava os dias a enfeitar-se
e a ver-se ao espelho.

A mais nova ocupava-se da casa,
sem se importar com a sua condição.
Era conhecida pela sua inteligência:
conseguia perceber as palavras mais arrevesadas
e resolver complicadíssimos enigmas.

O rei, amante de charadas e adivinhas,
herdara o trono em novo
e comportava-se de forma caprichosa.
Muitas vezes sujeitava os súbditos
a provas que deviam resolver
para não serem castigados.

Um dia reuniu-os a todos e disse:
- Tenho uma árvore com doze ramos;
cada ramo tem trinta folhas;
cada folha, duas faces.
Quem em sete dias não acertar
o valor total da minha árvore,
vai para o calabouço.

Quando quase se vencia a data fixada
para resolver o enigma,
o carvoeiro colocou-o às filhas.

Então a mais nova disse:
- Não há nada mais fácil!

E deu ao pai a solução.
...




"Ovos cozidos"
Marisa Núñez & Teresa Lima
OQO Editora




(Este livro está na nossa Biblioteca)




17.8.08

Brevíssima história de amor

«Não sei a quem ouvi contar a história de Maria.
Mas sei que era assim: nunca tinha tido uma boneca, na casa da praia onde morava, onde o vento entrava pelos lados todos.
Toda a gente sabia que dava o seu amor inteiro a uma pedra.
Uma pedra - por suas mãos carinhosamente vestida e despida de folhas, de conchas, de um ou outro trapo velho.
Para a pedra, Maria inventava, todas as noites, canções de não ter medo do vento, das marés vivas, de coisa nenhuma.

E um dia alguém ouviu contar a história de Maria. Devia ser Natal, os corações das pessoas comovem-se facilmente nessa altura. Se calhar até havia cânticos na rádio, na televisão, nas lojas, nas ruas.
E uma boneca enorma caiu no colo de Maria: olhos de vidro azul, algumas palavras fanhosamente ecoando sempre que se apertava a barriga, cabelos loiros, vestido de cetim cor de rosa, gente quase.
Redondos, redondos os olhos de Maria, sobre aquele tesouro inesperado. Claríssimo o seu sorriso, olhando a boneca.

Desde então, todas as manhãs Maria acorda feliz. Estenda a mão para a boneca nova, olhos de vidro azul, cabelos loiros, gente quase.
Ajeita-lhe o vestido de cetim cor de rosa, fica uns momentos olhando-a, parada.
Diz-lhe baixinho "até logo".
E corre para a praia, a embalar a pedra....»



Autora: Alice Vieira

In «Histórias da árvore dos sonhos»
Vários Autores
Projecto Ilha Mágica


(O livro encontra-se na Biblioteca)


11.8.08

O Castelo dos Livros

O Castelo dos Livros é a mais recente obra da autora do Bestseller A Lua de Joana.


O livro conta a história de Inês, uma menina que tinha o sonho de vir a ser sábia e, um dia, descobriu o fantástico tesouro escondido no Castelo da Montanha Azul, com as suas quatro torres, e de Teresa, que tinha o sonho de ser livre e, a certa altura, descobriu um tesouro especial guardado na sua alma cheia de histórias (uma delas sobre um terrível dragão)... Inês e Teresa gostam muito de livros. Pouco a pouco, vão-se conhecendo e ficando grandes amigas. Assim, juntas, vencem o medo e tornam-se guardiãs das quatro torres mágicas: a Torre dos Arrepios, a Torre das Asas, a Torre do Céu e a Torre Dourado...


"- Era uma vez um marquês...Sim, um marquês. Não era um príncipe, nem um duque, não era um conde nem um visconde... - Teresa olha para mim e percebe que estou a impacientar-me. Creio que está a pôr-me à prova, para ter a certeza que não vou interrompê-la. Quanto a mim neste momento, já não tenho tanta certeza...

- Era um marquês biblionário - continuava ela, olhando para mim - Às vezes, os escritores inventam palavras, sabias? Esta fui eu que a inventei precisamente para descrever alguém muito rico em... livros"...


29.7.08

He came with the couch...

David Slonim é o autor deste livro. Está escrito em inglês. As ilustrações ajudarão certamente a compreender esta história...





Cliquem no livro para virar as páginas.
Se clicarem nos «olhos», acederão ao site LookyBook. Poderão ver o livro em tamanho maior e ler melhor esta aventura.


Boa leitura !

O piano de cauda

«O piano de cauda vivia no mais harmonioso dos lugares. Todos os dias, cedo cedinho, corria ao espreguiçadoiro, que é uma espécie de miradoiro donde se vê nascer o dia, e... dó, ré, mi, fá... o sol aparecia. Dali regressava à clareira para o ensaio de orquestra com o rio, as ervas e os pássaros. Quando não era orquestra, era um quinteto ou um trio... com quem estivesse disposto. Hoje, por acaso, até ia tocar a solo: a chuva tinha metido água no ensaio geral, estavam todos ensopados, roucos, desafinados. Nem o vento conseguia assobiar nas folhas!
Ainda bem que a cauda do piano tinha ficado presa nas giestas do caminho para o ensaio! É que, naquele lugar, ninguém sabia imaginar um dia sem música. E chegado o dia-pasão, que era o dia da afinação geral, tudo voltou à normal felicidade.
Quem não andava nada feliz com a felicidade era o ar.
Como se já não lhe bastasse o trabalho que tinha com o perfume das flores, rebentava de música pelas costuras.
O que lhe valia eram os amigos: a boleia do vento, por exemplo, ou a visita de médico do ocaso, todos os dias ao fim da tarde. Bem, não era bem uma visita de médico, era mais... de polícia! É que, à sua ordem, todos recolhiam as melodias espalhadas e o piano dava as últimas notas: dó, si... e lá se ia o sol!
Era difícil chegar àquele lugar. Mas... mais dia menos dia, alguém havia de conseguir. Alguém assim... para quem tudo é fácil... Alguém à procura de coisas raras!
E assim aconteceu...»


Excerto retirado de:
O Piano de Cauda
Texto: Eugénio Roda
Ilustrações: Gémeo Luís
Editora: Edições éterogémeas

(O livro encontra-se na Biblioteca)


20.7.08

A lebre e a tartaruga

Clica sobre a imagem para ler a história da Lebre e da Tartaruga...



14.7.08

Cor de mim

A laranja sacudiu-se energicamente lá no alto da laranjeira e disse:

- Ninguém é tão importante como eu! Ninguém se compara comigo!

As folhas bateram umas nas outras, alegremente, que é o modo que elas têm de rir, e exclamaram:

- Bazófias, minha filha!

A laranja fez de conta que não era nada com ela, até porque não sabia o que queria dizer «bazófias», e, vaidosamente, voltou a dizer:

- Ninguém é tão importante como eu!

As folhas já estavam ligeiramente fartas daquela conversa, que se repetia todos os dias, e perguntaram:

- Mas porquê? Não acabas, como tods, em cima de um prato ou espremidinha para dentro de um copo?

A laranja deitou-lhes um olhar verdadeiramente enjoado:

- Francamente, vocês não percebem nada disto!

Depois aclarou a voz e continuou:

- Vocês são verdes. O meu primo limão é amarelo, a minha prima banana também é amarela, às vezes verde. O meu primo morango é vermelho. A minha prima uva é azul. A minha prima pêra é verde, amarelada, quando muito. Todos os meus primos e primas têm cores que são cores de muita gente. Mas eu... Eu sou cor de laranja!

- E isso que tem? - perguntaram as folhas, afinadamente em coro.

- Nunca vi ninguém que pensasse tão lentamente... - refilou a laranja.

Aclarou novamente a voz:

- Eu... eu sou... eu sou cor de laranja! Ou seja, eu sou cor de mim! Cor de mim própria!

Nessa altura, uma das folhas que raciocinava mais velozmente lembrou-se de dizer, lá do alto do seu ramo:

- Mas a tua prima rosa também é... cor-de-rosa! Cor dela própria!

A laranja ficou enraivecidamente cor de laranja e gritou:

- Cala-te imediatamente! Não me fales dessa toleirona, que estamos de relações cortadas há anos!

Então a folha encolheu-se, mandou passear a laranja mais as suas manias de superioridade, e murmurou lentamente:

- Mas quem me manda a mim meter em questões de família...


Retirado de
«Livro com Cheiro a Caramelo»
de Alice Vieira
Texto Ed.

7.7.08

Cada dia, uma história...

Como estão de férias, devem ter muitos projectos para ocupar os tempos livres: passeios; viagens; encontros; idas à praia, ao cinema, ao museu, aos espectáculos e festas de verão... Em casa, também haverá muita coisa para fazer...
De vez em quando, de certeza, haverá um momentinho para ler. E, não havendo possibilidade de vir cá, a nossa Biblioteca continuará activa através deste Blog.

Sugestões de leitura não hão-de de faltar...

Hoje, aconselhamos um site que propõe leituras novas todos os dias. É a «História do Dia». O princípio é fácil: cada dia, apresenta-se uma nova história. E se falharem a leitura em determinado dia, a História continua disponível em arquivo...

Para aceder ao site, basta clicar nesta imagem.


Boa Leitura !




O site existe em versão inglesa. Basta clicar na bandeira que está situada ao lado do título para mudar a língua.

24.6.08

Mensagem Amiga

A professora Diana Magalhães lançou-me o desafio para,
como responsável da Biblioteca, escrever um artigo para este blogue.
Assaltou-me logo uma ideia que transporto
há meses – escrever sobre o grupo de “Amigos da Biblioteca”.


Foi uma experiência gratificante: deu-me um enorme prazer observar o grau de empenhamento, de entusiasmo e de responsabilidade da maioria dos alunos que compunham este grupo. Lembro, com ternura, algumas das questões que me foram colocando ao longo do ano: “Amanhã não posso vir, tenho de ficar a tomar conta do meu irmão. Vou ser despedida?” “Desculpe, professora, cheguei atrasada, pois fui almoçar a casa e demorei mais” “Não fica zangada, se eu for lá para fora brincar? Hoje não me apetece estar aqui?” “Quando passo de estagiário a efectivo?”
Os amigos levaram muito a sério as suas funções, fosse a ajudar os colegas nos trabalhos de casa ou a encontrar um livro, fosse a fazer o levantamento das sugestões apresentadas e arrumadas na caixa de sugestões, ou a organizar o dossiê “grupo de amigos”, ou a ajudar na zona de atendimento, ou preenchendo as requisições, em computador ou entregando e devolvendo material, ou…
Desenvolveram competências relacionais, culturais, inter-pessoais, de informação e de promoção da leitura. Seleccionaram textos que leram em público e adivinhas ou anedotas para contar; criaram os seus próprios textos, aprendendo a processá-los (alguns não sabiam absolutamente nada de processamento de texto), fizeram avisos e divulgaram as actividades, dinamizaram, com iniciativa, a realização de muitas acções, começando por dar sugestões, planificando, superando os obstáculos, medindo os apoios e avaliando os resultados. Alguns tiveram de ler muitas obras, para serem capazes de aconselhar leituras aos colegas mais indecisos. Venderam rifas para angariação de fundos.
Perguntavam muitas vezes “Estamos tesos?” numa afirmação de pertença, sentindo a Biblioteca como seu património e isso, não só me sensibilizou como foi, muitas vezes, a força motivadora para que eu continuasse o meu trabalho.
Bem sei, que algumas vozes, neste momento, dirão baixinho: “…houve dias de uma grande desorganização, com muitos amigos dentro de um espaço demasiado pequeno, atropelando-se…” É verdade! O grupo cresceu muito, muito, num espaço curto de tempo. Houve sempre muitos alunos a pedirem para se inscreverem como amigos. No fim do 2º período tivemos que repensar a sua organização e formaram-se os clubes. Mas, mesmo assim, eram muitos os alunos. No próximo ano, talvez tenhamos de repensar, novamente, a organização e o funcionamento, mas é isso o que acontece sempre que há um processo de crescimento…
Apesar disso, mesmo com alguns mas…, valeu a pena. Se valeu! As relações inter-pessoais fluíram, foram de entreajuda, doces, afáveis, com os alunos a pedir desculpa sempre que falavam agressivamente, ou, sempre que interrompiam uma conversa.
Por isso, obrigado! Um agradecimento especial à Diana Pereira, presidente do ”grupo de amigos”, pela sua capacidade de liderança, pelo seu dinamismo, pela solidariedade manifestada e…muito mais.
Outro agradecimento, comovido, à professora Diana Magalhães, que tão bem soube cuidar deste blogue e sempre tão delicada com os alunos, tão entusiasta e paciente nas relações com os que com ela tiveram o prazer de trabalhar.
Um obrigada final a todos os que alimentaram este projecto, nele acreditaram e nele me fizeram acreditar, nomeadamente à equipe que tive a honra de coordenar.


Cristina Santos


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6.6.08

Maratona da Leitura

A Equipa da Biblioteca propõe para hoje uma Maratona da Leitura que fará participar grandes e pequenos, alunos, encarregados de educação, professores, funcionários, qualquer pessoa da nossa comunidade escolar que queira partilhar um momento de puro prazer: a leitura de um conto, um poema, uma história... das 08h25 às 20h00, parando apenas nas pausas habituais dos intervalos lectivos.

Aqui ficam alguns títulos das histórias que vão ser apresentadas:


  • «Three little pigs»
  • «A luz amiga»
  • «Avalanche»
  • «O munod dá a volta»
  • «O grande hotel»
  • «Dietas e borbulhas»
  • «A mosca e o Senhor Alfredo»
  • «A Maratona da Leitura»
  • «Histórias sobre a matemática»
  • «A voz do coração»
  • «Liberdade»
  • «O Oceanário»
  • «A menina feia»
  • «As fadas»
  • «Contos de Grimm»
  • «Com o arco-íris no bolso»
  • «O planeta branco»
  • «Um segredo para crescer»
  • «Para começar»
  • «Os sonhos»
  • «Os adultos»
  • «A vida»
  • «O rato que falava com Deus»
  • «Uma família de chapéus»
  • «O senhor distraído»
  • «Vasco regressa à escola»
  • «Gosto de ti - R»
  • «O pássaro da alma»
  • «O circo das palavras voadoras»
  • «Uma história que começa pelo fim»
  • «A menina gotinha de água»
  • «A lenda do mar: o castigo do sal»
  • «A minha mãe»
  • ...

2.6.08

Lengalengas

É uma literatura oral, tradicional ou popular que a criança sempre escutou e que, nos nossos dias, foi herdada por ela, havendo adaptações consoante os países, as regiões, as diversas culturas.
As pessoas acham-nas muito divertidas, pois obedecem a uma cadência e a um ritmo bastante enérgico: repetem-se palavras ou expressões e as rimas acontecem frequentemente...


Aqui está um livro de recolha de lengalengas interessante. A consultar...


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21.5.08

Feira do Livro



A Feira do Livro chegou à cidade do Porto. Abre hoje as portas até ao dia 10 de Junho. Realiza-se no Pavilhão Rosa Mota e conta, mais uma vez, com um espaço dedicado às actividades infantis, orientadas pela Escola Superior de Santa Maria.

A feira estará aberta todos os dias entre as 15h30 e as 23h30, com excepção do Dia da Criança, 1 de Junho, em que a abertura será às 10h00.

5.5.08

O Limpa-palavras

Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.
*
Quase todas as palavras
precisam de ser limpas e acariciadas:
a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhe a sujidade dos dias
e do mau uso.
Muitas chegam doentes,
Outras simplesmente gastas estafadas,
dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.
*
A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os pápeis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.
*
No fim de tudo, voltam os olhos para a luz
e vão para longe,
leves palavras voadores
sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.
*
A palavra obrigado agradece-me.
As outras não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixo do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.
*
Vão à procura de quem as queira dizer,
de mais palavras e de novos sentidos.
Basta entenderes um braço para apanhares
a palavra barco ou a palavra amor.
*
Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.



Álvaro Magalhães