14.10.10

Os alunos do 5ºI e a Biblioteca


Os alunos do 5º ano estiveram na Biblioteca e participaram nas actividades propostas pela Equipa responsável.



Ficam aqui comentários de alguns alunos do 5ºI.


«Nós fomos, com a nossa professora de Português, visitar a Biblioteca. Aprendemos, com a tabela CDU, a saber onde estão os livros e cada um de nós procurou um livro.
Depois fomos à parte dos jogos e eu joguei às damas com a Daniela.
No fim, as Senhoras da Biblioteca deram-nos um livro. O meu é "Alana e o casal Patolas". Adorei!»

Mariana Cardoso
5ºI


«Quando fui à biblioteca da escola, achei que era um belo sítio para fazer os trabalhos de casa, ler pesquisar, estudar, jogar e fazer trabalhos de grupo...
Entrámos e as professoras dividiram a turma a meio: um lado foi para a zona de leitura e outro para a zona de jogos. Eu fui primeiro para a zona de leitura e uma professora ensinou a procurar livros através do CDU. Depois fomos para a zona de jogar e jogámos um pouco. Foi divertido!»

Cristiana Andrade
5ºI


«Na biblioteca, há muitas funcionalidades. Podemos ler livros, fazer pesquisas na Internet, jogar jogos de mesa  e de CD-ROM. Normalmente, há mais gente na parte dos jogos.
Nós sabemos em que prateleiras se encontram os livros, com a tabela CDU. Existem livros de aventuras, poéticos, de ambiente...
Eu adoro a biblioteca

Daniela Nogueira
5ºI


«..Na biblioteca, como todos sabem, pode-se fazer muitas coisas para nos divertirmos.
Para mim, a biblioteca é realmente um lugar mágico!»
Luísa Azevedo e Silva
5ºI


13.10.10

Os alunos do 5ºG e a Biblioteca



Os alunos do 5º ano estiveram na Biblioteca e participaram nas actividades propostas pela Equipa responsável.

Ficam aqui comentários de alguns alunos do 5ºG.


«Na nossa visita, ficámos a saber um pouco mais sobre a zona da leitura e a zona de lazer. Na zona de leitura soubemos o que significam os números e as letras; fizemos um jogo de procura de um livro que nos era pedido. Na zona de lazer, ficámos a saber como funciona com os filmes, os jogos de computador e outros jogo

Diogo Oliveira
5ºG



«Na biblioteca, há computadores, há televisões, há livros, há um sítio muito engraçado que se chama Hospital dos livros.
Quando fui lá hoje, encontrei muitos livros fantásticos e muito creativos

André Organista
5ºG



«Na biblioteca, aprendemos tantas coisas e agora vamos aprender a respeitar as regras da biblioteca. Assim fica tudo resolvido! Ainda por cima, as professoras Cristina e Adelaide ofereceram-nos livros!
Adorei tanto esta visita. Nunca vou esquecer esta visita!»

Diogo Miguel Dias
5ºG



«A biblioteca é um lugar mágico onde encontramos todos os livros do mundo e onde se lê em sossego. É um lugar onde se pode estudar, onde se aprende e onde se faz pesquisa.
Também podemos jogar jogos, no computador e não só, e podemos ver filmes.
É o lugar onde mais se aprende. Também é bom para passar o tempo.
Adorei a visita à biblioteca e prometo que lá voltarei mais vezes.»

Miguel Simões
5ºG



«A biblioteca é um sítio muito divertido, porque lá posso fazer muitas coisas, como os trabalhos de casa, jogos, ler, vver filmes, conviver...
Eu acho que a biblioteca é um sítio onde podemos desenvolver muitas coisas como a leitura e o bem estar...»

Diogo Costa e Silva Lorga
5ºG







8.10.10

O fio da aranha



Um dia, Shakiamouni vagueava no paraíso, solitário e sereno, por entre a beleza das flores à beira de um lago. A brisa perfumada pro­duzia na água uma ligeira ondulação. Era uma vulgar manhã de Pri­mavera, doce e perfeita. Ora, enquanto este deus caminhava tranquilamente, com passos lentos, pela erva tépida da margem, o seu olhar deixou-se cativar pelo esplendor do sol sobre as ondas trans­parentes. Parou e desejou ver, através das águas claras, o que se pas­sava nessa manhã no subsolo do mundo, onde era o inferno, porque sob esse lago do paraíso, infinitamente longínquos, mas perfeitamente visíveis aos olhos divinos de Shakiamouni, se encontravam os pânta­nos de sangue e fogo onde se movia a multidão espessa dos danados.

Entre essa multidão avistou um homem que se debatia mais furio­samente do que os outros. Tentava içar-se, estendia as mãos para os céus vazios, escalava as chamas para gritar a sua revolta entre os fumos de enxofre. Shakiamouni reconheceu-o: era Kandata, um bandido de grande força e de voz muito forte, que ocupara os dias a pilhar, incen­diar e assassinar desavergonhadamente. Teria tido alguma vez um pequeno gesto de bondade, ainda que ínfimo?

Shakiamouni interrogou-se e, como uma ligeira bruma, uma recordação veio-lhe à memória. Num dia em que Kandata atravessava uma floresta, cercado por um exército de justiceiros, pisara uma aranha, mas contivera a sua bota, por respeito pela vida desse pequeno animal. Sentira por ela um rasgo de compaixão fraternal.

Shakiamouni saboreou essa lembrança com uma imperceptível, mas infinita, felici­dade. «Talvez seja possível redimir Kandata», disse para consigo. Perto de si uma aranha do paraíso tecia a teia entre duas flores de lótus. Pegou delicadamente no fio com os seus dedos de mármore e, atra­vés das águas do lago, desenrolou-o até aos pântanos do inferno.

No meio daqueles malditos esgotados pelas torturas, cujos rostos pálidos e queixosos derivavam à sua volta, Kandata, único rebelde, batia-se contra as poças de sangue, perseguindo os fogos loucos como nuvens de insectos, quando viu de repente luzir um fio de aranha na escuridão do céu. Ergueu a cabeça e apercebeu-se de que descia em linha recta de um buraco brilhante como uma estrela no mais alto do céu. Nesse instante o coração saltitou-lhe no peito e ocorreu-lhe ser possível evadir-se dos miasmas em que estava a apodrecer.
Avida­mente, alcançou o fio e começou a subir com todas as forças. Como bom ladrão que era, sabia escalar com agilidade às escuras, mas a estrela estava distante e o paraíso era ainda para além dela. Tentou elevar­-se, mas perdeu as forças e, quando percebeu que não poderia conti­nuar, decidiu repousar por um instante.
Parou, pois, de se içar e olhou para baixo. Não se extenuara em vão: já quase não distinguia os pântanos infernais, perdidos numa bruma enevoada, e no ar que respirava já não dominava o cheiro opressivo que cobria os lugares donde vinha. «Mais um esforço e estou salvo», disse para si mesmo, com uma alegria voraz. «A mim, o paraíso, a mim!» Mas, antes de retomar a subida, baixou de novo a cabeça para tomar coragem e olhar pela última vez o inferno.

Viu então, no fundo dos fundos, semelhantes a formigas nos cla­rões das chamas, cachos de danados, loucos de esperança, que se agar­ravam ao extremo da fina corda que escalava e subiam a seguir a ele. «Que desgraça!» pensou. «Será que não vêem que este fio é frá­gil? Só por milagre é que me aguenta! Como poderá resistir a este exército de malandrins? Vai partir-se e cairemos todos novamente no inferno, eu e estes malditos invejosos!»
― Parem! ― gritou, com todas as forças, tremendo de medo e de raiva. ― Quem lhes deu licença para subirem? Este fio é meu, só meu, danados, larguem-no!

Mal tinha acabado de proferir estas palavras, o fio de aranha quebrou-se ao simples sopro da sua voz. De uma só vez.

Na borda do lago do paraíso, Shakiamouni viu Kandata cair como um ponto luminoso e rodopiar até se enterrar nas distantes brumas infernais. Agora estava perdido para sempre. Nada poderia salvá-lo. «Como os homens são estranhos e complicados», pensou o deus, subitamente melancólico. «Por que razão quis o bandido salvar-se sozi­nho?»

Shakiamouni retomou o passeio calmo à beira da água, na brisa indiferente e por entre flores de perfume perfeito. Era meio-dia no paraíso e o sol, no céu, ainda não tinha encontrado a mais ligeira nuvem.



Henri Gougaud
A Árvore dos Tesouros
Lisboa, Gradiva, 1988

5.10.10

Projecto para 2010-2011 : «Contos de Água»



Vamos matar a sede!




Este ano lectivo, a BECRE sugere que a comunidade educativa se oriente para a defesa da água - recurso essencial que urge preservar.

Sob a denominação “Contos de Água”, propomos que se desenvolva esta problemática tão actual e tão premente: o ciclo da água, a renovação dos recursos, os actos de poupança, a preservação do meio ambiente, a distribuição geográfica dos recursos, a determinação dos custos de consumo, as histórias dos rios lagos e mares e tantas outras abordagens…

Propomos a produção de textos (a publicitar no blogue), com os quais construiríamos um e-book.

Pediremos a Contadores de Histórias que circulem pelas escolas do agrupamento, explorando contos populares, narrativas de autor e outras histórias sobre a água.

Realizaremos uma mostra final dos trabalhos produzidos, uma Conferência sobre o tema e uma visita ao Museu da Água em Vila Nova de Cerveira.

Estes serão alguns dos momentos em que nos poderemos envolver. Aguardamos as vossas propostas!


1.10.10

5º ano na BECRE

Durante esta semana, os alunos do 5º ano vieram conhecer a  Biblioteca da escola.
A Equipa da BECRE organizou tarefas e actividades que lhes permitiram conhecer melhor o funcionamento da Biblioteca e poder assim usufruir plenamente de todos os recursos disponíveis.
Trata-se de uma excelente iniciativa!





30.9.10

Clementina


A Clementina tem oito anos e, nas suas próprias palavras, é «alérgica a ficar quieta e sossegada». Isto nem sempre lhe facilita a vida, e a Clementina acaba por passar mais tempo no gabinete da directora da escola do que gostaria. Por exemplo, esta semana vai de mal a pior. Tudo começou porque na segunda-feira a sua melhor amiga Margarida ficou com o cabelo cheio de cola durante a aula de Arte. A Clementina tentou ajudá-la, mas os adultos não percebem nada de nada, e os sarilhos nunca mais tiveram fim! Hilariante e inesquecível, este livro apresenta uma menina cheia de imaginação - e o mundo nunca mais vai parecer o mesmo depois de visto através da perspectiva dela!

28.9.10

História do sábio fechado na sua biblioteca


Era uma vez um Sábio chinês que vivia há muitos anos fechado na sua Biblioteca e sabia tudo, tudo. Nada do que existia, e até do que não existia, tinha para ele segredos. Sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo. Conversava com os animais e com as plantas e conhecia o passado, o presente e o futuro. Ora, como conhecia todas as coisas, a sua vida era, claro, muito triste e desinteressante. Mesmo as coisas mais misteriosas, como, por exemplo, os cortinados agitando-se com o vento, ou, à noite, os móveis rangendo como se falassem uns com os outros, não tinham para ele qualquer mistério. Até que um dia um estrangeiro bateu à porta da Biblioteca…



26.9.10

Dia Europeu das Línguas



O Dia Europeu das Línguas 
também vai ser comemorado na nossa escola.
Participa na Caça aos Tesouros da Europa,
Dia 27 de Setembro,
nos intervalos das 9h50 e das 16h40.



Uma biblioteca é...







O livro está na nossa biblioteca!




25.9.10

COMPRAR, COMPRAR, COMPRAR





Ruben era um rapaz que passava a vida no centro comercial. Só comprava roupas de marca. Só comia na pizzaria ou no McDonald's. Só via o mundo pelo cinema. Só subia escadas rolantes. Só falava com os amigos nos corredores apinhados de gente. Só sabia que era Primavera quando das montras retiravam os casacos e vestiam os manequins com roupas leves, coloridas.
Quando chegava o seu dia de anos era sempre um problema escolher entre os milhares de objectos expostos no centro comercial.
— Que prenda gostavas de receber? — perguntaram-lhe os pais quando faltava uma semana para essa data maravilhosa, 29 de Junho.
Ele não se atrapalhou.
— Ah, quero tantas coisas... jogos para a minha consola, uns ténis Nike, um blusão Adidas, um filme fantástico em DVD, uma televisão panorâmica, uma agenda electrónica, um telemóvel com máquina fotográfica, um gel verde para os cabelos, uma esferográfica com cheiro a Coca-Cola, uma mochila transparente, umas meias com monstros extraterrestres, um brinco para a orelha esquerda, uma tatuagem de uma águia, umas calças pretas com vinte bolsos, cadernos novos com retratos dos craques do futebol, uma caixa de chocolates com recheio de ginja, uns boxers com as sete cores do arco-íris, um porta-chaves com lanterna, uns óculos escuros de marca, um...
— Mas que loucura! — exclamou a mãe. — Pensas que somos milionários?
— Ora — replicou o Ruben — para que serve o dinheiro? E se não o tiverem, podem usar o cartão de crédito. Compram agora, pagam depois. É o que toda a gente faz no centro comercial.
O pai estava estupefacto.
— Ao que chega a sociedade de consumo! Só quer gastar...
— Claro! — disse o rapaz. — O meu sonho era ter uma máquina multibanco portátil para estar sempre prevenido. Com notas a saltar a toda a hora...
Nas noites seguintes, os pais, em vez de ficarem paralisados diante da televisão, como era hábito, puseram-se a cochichar.
Chegou finalmente o grande dia. A sala estava enfeitada com balões e um belo bolo de anos resplandecia em cima da mesa. Mas não se vislumbrava qualquer embrulho. Os pais deram-lhe os beijos da praxe e entregaram-lhe um envelope.
— Dinheiro! — entusiasmou-se ele. — Só pode ser dinheiro! Assim escolho a prenda à-vontade.
Abriu o envelope, radiante. Como é bom comprar, comprar, comprar! Que desilusão! Encontrou apenas um bilhete de camioneta para Vilar de Lagartixas.
— Que brincadeira de mau gosto é esta? — gritou o Ruben. — Se acham que devo viajar, porque não vamos até as ilhas Seicheles, porque não fazemos um safari no Quénia ou subimos ao topo dos arranha-céus de Nova Iorque? Na América há, de certeza, centros comerciais fantásticos. Vilar de Lagartixas não vem anunciado nas agências de viagens... Que vão pensar os meus colegas?
A mãe ainda deitou uma lagrimita do olho esquerdo, mas o pai mostrou-se intransigente:
— Só te vai fazer bem conhecer uma terra diferente, onde não se passa a vida a gastar dinheiro!
Ruben escondeu assim de toda a gente o seu destino. Que vergonha! Que desilusão! O rapaz fez a mala a contragosto e embarcou, furioso, numa camioneta desengonçada. Desligou o telemóvel, rasgou o papel de carta que lhe tinham dado. Ninguém havia de ter notícias dele. Era a sua vingança.
Passaram os dias, as semanas, mais de dois meses. Ia começar novamente o tempo de aulas. Que seria feito do Ruben? Teria conseguido sobreviver numa aldeola perdida, sem centros comerciais? Teria enlouquecido?
Foi com preocupação que a família o esperou na estação rodoviária no dia aprazado.
Em vez de sair de um autocarro de passageiros, apeou-se de uma camioneta de carga. A principio nem conseguiram reconhecê-lo. Vinha mais alto, entroncado, com um sorriso nos lábios. 
— Então? Conheceste a pobreza?
— Não! — respondeu o rapaz com convicção.
A mãe ficou admirada.
— Disseram-me que nem há luz eléctrica naquele lugarejo.
— Mas milhares de estrelas iluminam a noite — explicou ele. — É uma maravilha!
A irmã franziu o nariz.
— Mas têm piscina?
— Para quê? Havias de ver a praia junto ao rio. Pode-se nadar, passear de barco, pescar trutas.
— Eu não podia viver sem um ginásio, para me manter em forma — continuou ela, sempre preocupada com a elegância.
— Não encontrei lá balofas como tu. As pessoas fazem ginástica ao ar livre, a passear e a trabalhar. Tu pagas “para fazer ginástica”... És mesmo parva.
O pai já estava a desconfiar de tanta mudança.
— Não tiveste saudades do nosso carro? Insististe tanto para eu comprar este modelo...
— Ora, montei cavalos, que correm sem precisarem de estradas. E não pagam multa por pararem fora do parque de estacionamento. (Era o que acontecia ao pai.) Se o cavaleiro adormecer, até voltam sozinhos para casa. O teu carro, por acaso, conhece o caminho de casa?
Depois, muito sentencioso (até já parecia o avô Augusto!), cruzou os braços e disse:
— Fizeram bem em mandar-me para lá. Descobri que o dinheiro não é tudo na vida. Tive tempo para pensar e trouxe-vos uns presentes...
Trepou para a traseira da camioneta e apareceu com um leitão, que logo começou a grunhir.
— É para tu criares, mãe. As bifanas do talho não se comparam com as dos porcos caseiros.
— Que horror! Onde é que eu meto este bicho? Só se for dentro da banheira...
O rapaz foi novamente até à camioneta e retirou uma cerejeira, que entregou à irmã.
— Mana, não há brincos mais lindos que cerejas acabadas de colher.
E, para provar que era verdade, pendurou-lhe dois frutos bem vermelhinhos numa orelha….
— Como é que eu planto esta árvore, se nem temos varanda? — exasperou-se ela. — Só se for no passeio... Mas está atravancado de carros…
No entanto, o melhor estava ainda para vir. Foi pela terceira vez à camioneta, assobiou e de lá saltaram cinco cães muito peludos.
— Como vocês queriam comprar um alarme por causa dos assaltos, agora têm o problema resolvido. Com estes guardas ninguém entra lá em casa. Não tive uma boa ideia?
O pai empalideceu. Cinco cães! Quem é que ia passear com eles? Punham-se a dormir na sala? Que despesa para dar de comer a tanta canzoada!
Meteram-se no carro, apertados entre a árvore, o porco e os canídeos a ladrar.
— Para já fica tudo na garagem do prédio! — resolveu o pai.
Mas os vizinhos é que não acharam graça nenhuma!
— Isto não é uma pocilga, nem um canil nem uma horta. Tirem essas especialidades daqui para fora!
E que remédio senão obedecer...
Ruben ria à gargalhada, a irmã troçava, os pais afligiam-se, num desespero….
— Ó mano, não tens saudades do centro comercial? Podíamos ir comer uma pizza... — lembrou a irmã.
— Mas onde deixamos os presentes? — retorquiu a mãe — Em casa não, que me sujam tudo!
— No carro ainda menos, que me destroem os estofos — ripostou o pai.
— Óptimo! Vão connosco! — decidiu logo o Ruben. — Mas eu quero ir a pé! Hoje já fiz 400 quilómetros sentado. Até estou enjoado!
A mãe mal conseguia andar na calçada com as botas de saltos altos, muito fininhos, que se metiam entre as pedras. A irmã estava bem cansada…. O pai via-se aflito com os cinco cães à trela, cada um a puxar para seu lado. Ruben divertia-se com a árvore debaixo do braço e o leitão às costas….
As pessoas paravam nos passeios para admirar aquela família extravagante. Finalmente chegaram. O segurança não queria deixá-los entrar mas o pai calou-o logo.
— Somos vendedores. Esta é a nossa mercadoria.
Dirigiram-se à loja de animais e, aí, o pai e a mãe trataram logo de deixar os cães e o porco.
De seguida, entraram na loja de plantas e a dona comprou-lhes imediatamente a cerejeira. Fazia um vistão no meio dos vasos com flores.
— Arranjámos algum dinheiro com as prendas que trouxeste de Vilar de Lagartixas! — exclamaram os três.
— Agora já podes comprar algumas das prendas que querias para os teus anos. Estás contente?
— Não diziam que eu era um consumista? Que só queria gastar dinheiro? Pois vou já comprar bilhetes de camioneta para irmos todos passar férias juntos, no Natal, a Vilar de Lagartixas!


Luísa Ducla Soares
Comprar, comprar, comprar
Porto, Civilização Editora, 2010
(adaptação)

19.9.10

O Diamante da Ilha das Caraíbas

Apresentação de um livro que promete muita aventura!  ;-)







Sol Poente



Ia um homem a correr por uma extensa planície relvada, que nem cem campos de futebol, uns a seguir aos outros. Ia o homem a bom correr, mas não ia sozinho.
Atrás dele, resfolegando, de chifres curvados, um enorme boi. Aliás, um touro. O homem corria, corria, nem ele sabia para onde, gritando:
- Uma árvore! Socorro! Uma árvore!
Mas naquela planície não tinham plantado nenhuma, nem as árvores se deslocam donde estão, para socorrerem um pobre homem, a correr numa planície nua.
- Um buraco! Ao menos, um buraco! Socorro! - gritava o homem, quase no limite das suas forças.
Mas também não havia buracos, naquela planície lisa. Situação desesperante.
A sombra do homem e a sombra do touro deslizavam pelo chão, quase a tocarem-se. Alongavam-se uma e outra, cada vez mais estiradas pela planície, porque o Sol descia a olhos vistos e, daí a nada, iria desaparecer no horizonte.
- Se continuas a perseguir-me, roubo-te o Sol - gritou o homem, num último alento.
O touro não lhe deu ouvidos. Continuou a correr de cabeça baixa, atrás do homem. Nisto, o Sol escondeu-se, sem dizer sequer: ?Até amanhã".
- Vês do que eu sou capaz? - gritou o homem, sem parar de correr.
As sombras do homem e do touro tinham sido engolidas pela penumbra. O touro estacou, atemorizado.
A uma prudente distância, o homem gritou-lhe:
- Se queres que eu te traga o Sol, outra vez, deixa-me seguir, sozinho, naquela direcção - e o homem apontava o sentido contrário ao Sol posto.
O touro, que já sentia falta do Sol, concordou. Então, o homem, num passo a fingir de seguro, caminhou, sem pressa, em direcção ao oriente. Salvara-se.
Na manhã seguinte, o Sol, tal como o homem tinha prometido, voltou a aquecer o touro e a planície, a perder de vista.




António Torrado


12.9.10

Bom regresso às aulas !




"Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.

O que elas amam são os pássaros em voo.

Existem para dar aos pássaros coragem para voar."


Rubem Alves








10.9.10

A Escola




" Escola é...

o lugar onde se faz amigos
não se trata só de prédios, salas, quadros,
programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente,
gente que trabalha, que estuda,
que se alegra, se conhece, se estima.
O director é gente, o coordenador é gente,
o professor é gente, o aluno é gente, cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor na medida
em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados."
Nada de conviver com as pessoas e depois
descobrir que não tem amizade a ninguém
nada de ser como o tijolo que forma a parede,
indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar,
não é só trabalhar, é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é "se amarrar nela"!
Ora, é lógico...
Numa escola assim vai ser fácil estudar,
trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz."


Paulo Freire





3.9.10

Preparando o regresso às aulas



Está na hora de sair da água...



... e de ficar...
...sempre com um livro nas mãos!




Boas Leituras!! ;-)