3.1.13

A grande corrida







O que fazem aqui estes rapazes? Estão à espera do início da grande corrida. Todos vestem calções e têm camisolas com números.
Estás a ver o rapaz com o número 15 na camisola? Chama-se Tiago. Os rapazes são todos altos e fortes, mas o Tiago é pequeno e franzino. Por isso, dizem-lhe:
— Não podes competir connosco. Nós somos altos e fortes, temos pernas compridas, e tu és pequeno e franzino, e tens pernas curtas. Nós conseguimos correr depressa, mas tu não consegues correr depressa. Como corres devagar, é melhor ficares sentado a observar-nos.
— Isso não é verdade — diz o Tiago. — Sou pequeno, mas consigo correr. Embora corra devagar, consigo correr na mesma.
Os rapazes observam o homem de chapéu branco, que segura uma bandeira preta e branca, e que está a olhar para o relógio que tem no pulso. De repente, o homem baixa a bandeira, sopra o apito e a corrida começa.
Há muitos rapazes a participar na corrida. Os rapazes empurram o Tiago e ele cai. Alguns dos rapazes até passam por cima dele! A corrida passa para a estrada, onde há camiões e carros, pessoas e bicicletas. Como se trata de um lugar perigoso, alguns dos concorrentes estão à espera de atravessar.
Consegues ver o Tiago? Está no fundo da fila, atrás de todos os outros.
Os rapazes atravessam a estrada e o Número 1 vai à frente. Um homem de bicicleta vai de encontro a ele e deita-o ao chão. Agora, o Número 1 está sentado na berma da estrada a segurar o tornozelo e, em vez de sorrir, está a chorar, porque já não pode correr mais. O Número 2 toma a dianteira.
Consegues ver o Tiago? Está no fim da fila. Os rapazes correm ao longo de um caminho que acompanha o rio. O Número 2 vai à frente, mas está demasiado perto do rio. O Número 3 corre para junto do Número 2 e estica o braço para o empurrar! O Número 2 cai ao rio e, embora consiga nadar, já não pode correr mais.
Agora, o Número 3 vai à frente. Os outros corredores seguem-no, mas alguns dos rapazes já estão cansados. Consegues ver o Tiago? Vem lá atrás, bem atrás de todos os outros corredores. Mas, embora corra devagar, continua a correr. De repente, o Número 3 pára, senta-se e descalça a sapatilha. A sapatilha tem um prego e o rapaz tem de tirar a meia e pôr um penso no pé. Não pode continuar a correr. Por isso, os Números 4 e 5 passam para a frente do pelotão. Como correm muito depressa, não conseguimos ver os outros corredores, e nem sequer conseguimos ver o Tiago.
Há nuvens negras no céu e os rapazes estão a olhar para elas. De repente, começa a chover muito. Os dois corredores da frente abrigam-se debaixo de uma árvore e deixam de ver os outros corredores. O Número 6 passa para a frente e o Tiago continua atrás de todos. Mas, embora corra devagar, continua a correr. De repente, aparece um cão com uma grande boca e dentes muito afiados, e o Número 6 tem de trepar a uma árvore e segurar-se com força. O cão salta e tenta mordê-lo. Para o Número 6, a corrida acaba aqui.
Agora, o Número 7 vai na vanguarda e todos o seguem. Quanto ao Tiago, continua no fim da fila. O Número 7 usa óculos, que estão a escorregar-lhe pelo nariz e que acabam por cair na relva. O rapaz pára para procurar os óculos, porque deixou de ver. Está sentado na relva, mas os outros rapazes correm muito depressa e não dão sinais de abrandar.
Como o Tiago não corre depressa, detém-se para procurar os óculos do Número 7. Quando os encontra, entrega-lhos.
— Toma os teus óculos — diz o Tiago.
— Obrigado — agradece o Número 7, que coloca os óculos.
Contudo, continua sem conseguir ver e tem de abandonar a corrida. Agora, o Número 8 vai à frente e os outros corredores vão atrás. Não se consegue ver o Tiago. O Número 8 chega junto de um portão e, em vez de o abrir, tenta saltá-lo. Só que, ao saltar, bate com o pé direito no cimo da grade. Neste momento, o Número 8 está sentado no chão, e tem a cabeça entre as mãos. Os outros rapazes abrem o portão e passam pelo Número 8 sem se deter para o ajudar. O Tiago aparece quando um dos rapazes está prestes a fechar o portão.
— Olá! — diz ele ao Número 8. — O que estás a fazer?
— Dói-me a cabeça! — queixa-se o rapaz.
O Tiago ajuda-o. Dá-lhe uma ligadura e o Número 8 coloca-a na cabeça. O Número 8 não pode correr mais. O Tiago continua a correr. Está cansado, tem as pernas curtas, mas continua a correr. O Número 9 vai na frente, mas não conseguimos ver os outros rapazes. O Número 9 está muito cansado e tem calor. Pára para comprar um gelado e uma garrafa de Coca-Cola. Senta-se debaixo de uma árvore e põe-se a saboreá-los. Como está cansado e afogueado, acaba por adormecer. Os outros corredores passam junto dele e riem-se.
— Vejam só! O Número 9 adormeceu! Não o acordem!
E continuam a correr. O Tiago chega junto do rapaz e, em vez de rir, tenta acordá-lo:
— Acorda! Lembra-te de que estás numa corrida!
— Não! — responde o Número 9. — Estou cansado e tenho calor. Não consigo correr mais.
O Número 10 tomou a dianteira, mas também ele está cansado e afogueado. Não se conseguem ver os outros corredores. Quando um autocarro pára na rua, para deixar entrar passageiros, o Número 10 entra no autocarro. O autocarro arranca e o rapaz senta-se e compra um bilhete.
— Como ninguém me vê — diz, a sorrir — posso ir aqui sentado. Assim, já não tenho calor nem me sinto cansado.
Mas o autocarro vai no sentido inverso do percurso da corrida e o Número 10 deixa de sorrir, porque acabou de ser eliminado. Vêem-se mais três corredores. Todos estão cansados e com calor. Contudo, correm depressa. De repente, deixam de ver as indicações e tomam um trilho diferente. Também eles ficam fora da corrida. Lá vem o Número 14. Tem calor e está cansado, mas corre depressa.
— Sou o primeiro — diz, contente. — Estão todos fora da corrida e o Tiago não consegue apanhar-me.
A sorrir, atravessa a rua, embora a luz do semáforo dos peões tenha ficado vermelha. Um polícia que está do outro lado da rua manda-o parar.
— Não vês o sinal vermelho? — pergunta ao Número 14.
Depois, tira um livro do bolso e pergunta-lhe:
— Como te chamas? Onde vives?
E eis que chega o Tiago. Como a luz do semáforo dos peões está verde, pode atravessar a rua. O Tiago passa pelo polícia e pelo Número 14 e chega em primeiro lugar! Apesar de ser pequeno e franzino, e de não conseguir correr depressa, chega em primeiro lugar! Na meta, todos o aplaudem:
— Bravo, Tiago! És o vencedor!
O Tiago sorri de contente.
D. H. Howe
The big race
Oxford, Oxford University Press, 2001
(Tradução e adaptação)








25.12.12

19.12.12

Os doze irmãos




Em tempos idos, pensava-se que cada um dos Doze Dias de Natal, de 26 de Dezembro a 6 de Janeiro, funcionava como um prenúncio do que os doze meses do ano seguinte viriam a ser. As pessoas analisavam o tempo meteorológico desses doze dias e faziam previsões, jogos, trocavam histórias, e divertiam-se, com o intuito de que o novo ano fosse benéfico.
Esta história da República Checa recorda-nos que cada mês do ano é especial, e que o conjunto dos doze meses formam o círculo, ou ano. A mudança das estações reflete o ciclo da existência humana, começando pelo início da vida (solstício de inverno), e passando pela infância (primavera), a idade adulta (verão), a maturidade (outono), a velhice e a morte (de novo o inverno).
O destino das duas irmãs da história recorda-nos também que uma vida que respeita a Natureza contém as suas próprias recompensas, enquanto uma vida que a desrespeita pode acarretar consequências desastrosas.




Numa floresta longínqua, viviam uma viúva e duas raparigas. 
Uma era a sua filha, Holena, e a outra era a sua enteada, Marusha.
Holena era feia e mimada, enquanto Marusha era bonita e tinha de desempenhar as tarefas todas. Era ela quem ia ao poço, todas as madrugadas, buscar água, quem esfregava e cozinhava, e quem fiava e tecia até ao anoitecer.
À medida que as raparigas iam ficando mais velhas, a reputação de Marusha como jovem bela e trabalhadora ia crescendo, enquanto a reputação de Holena como moça indolente aumentava. Em breve a viúva deu-se conta de que, a não ser que a enteada saísse de casa, ninguém iria casar com a preguiçosa Holena. Num dia de inverno rigoroso, a madrasta chamou Marusha e disse-lhe:
— A tua irmã quer violetas. Vai buscar-lhe algumas.
Era sua intenção que a enteada fosse devorada pelos lobos esfaimados que costumavam errar pela floresta.
— Mas onde vou eu encontrar violetas em pleno inverno? — exclamou Marusha, enquanto a empurravam para fora de casa, envergando ela apenas um fino vestido.
A tremer, devido ao vento agreste do norte, Marusha caminhou até ao cair da noite, cheia de medo do uivar dos lobos, que pareciam aproximar-se cada vez mais. Estava quase a desistir da busca, a deitar-se na neve e a adormecer para sempre, quando se apercebeu do cintilar de uma luz no cimo da colina. Então, cambaleou até à luz acolhedora na esperança de encontrar abrigo.
Contudo, quando Marusha atingiu o cume da encosta, recuou, espantada. A cena com que deparou era diferente de tudo o que presenciara até então, e parecia uma história dos tempos antigos.
Diante dela ardia uma enorme fogueira. À volta, sentados em silêncio num círculo de doze pedras, doze homens fitavam-na. Também eles não se pareciam com nenhum homem que Marusha vira antes. Três eram idosos, com longas barbas brancas, e vestiam de azul-‑escuro. Os três vestidos de púrpura eram de meia-idade e outros três vestiam de escarlate. Os três mais jovens vestiam de branco e verde. Na pedra maior de todas, estava sentado o mais velho de todos, com um bordão na mão.
Marusha fez-lhe uma vénia respeitosa e pediu:
— Por favor, senhor, será que posso aquecer-me junto da fogueira?
O velho respondeu numa voz grave:
— Quem és tu, minha filha, e porque caminhas pela floresta à hora a que os lobos vagueiam?
Marusha falou-lhe das violetas e o velho disse:
— Vieste ter ao lugar certo, pois somos os Doze Irmãos do ano. Eu sou Janeiro, chefe de todos os outros. Não posso dar-te violetas, mas o meu irmão Março pode.
O velho Janeiro levantou-se e cedeu o lugar a um dos jovens de branco e verde. Mal este se sentou no lugar do chefe, a neve em torno deles derreteu. Despontaram, então, árvores e violetas.
— Depressa, leva-as contigo! — ordenou o jovem Março, com uma voz tão penetrante como o vento.
A rapariga colheu as violetas e, depois de lhe agradecer, correu de volta para casa.
A viúva olhou, incrédula, para as flores de cor púrpura que a enteada trazia nas mãos.
— Onde encontraste violetas em Janeiro? — quis saber.
— Acolá, na colina — respondeu a rapariga.
Uns dias mais tarde, a viúva tentou um novo estratagema. Desta vez disse:
— A tua meia-irmã precisa de morangos. Vai e não voltes sem eles!
E empurrou Marusha para fora de casa, sem que esta tivesse os sapatos calçados. A madrasta achava que, apesar de ter sido possível encontrar algumas violetas por entre a neve, não haveria decerto morangos nenhuns.
E a rapariga regressou para junto das figuras silenciosas que circundavam a fogueira na colina. Os Doze Irmãos escutaram em silêncio o seu pedido e, de novo, o velho Janeiro pediu a um irmão mais jovem que tomasse o seu lugar. Mal Junho, vestido de escarlate, se sentou no lugar do chefe, espalhou-se pela colina um Verão glorioso. As abelhas começaram a zumbir em torno das flores brancas dos morangueiros, que logo desabrocharam e originaram frutos maduros.
— Leva os que quiseres — disse Junho, soltando uma gargalhada alegre.
Marusha colheu os frutos e agradeceu a Junho a sua bondade. Quando regressou a casa, deu os morangos a Holena, que os comeu avidamente.
— E, já agora, onde encontraste estes? — perguntou a viúva, com o olhar desconfiado.
— Sob as árvores do abrigo da montanha — foi tudo o que Marusha lhe respondeu.
Alguns dias mais tarde, Holena pediu maçãs à mãe, que enviou a enteada em busca delas, sem sequer um lenço para proteger-lhe a cabeça. O vento soprava ainda mais fortemente e a neve estava cheia de cristais de gelo. À medida que caminhava com custo, Marusha tentava não prestar atenção aos olhos brilhantes dos lobos por entre as árvores escuras. Quando chegou ao topo da colina, pela terceira vez, pediu de novo ajuda aos Doze Irmãos. E, de novo, Janeiro cedeu o seu lugar, desta vez ao magnífico Setembro, vestido de púrpura. De repente, ei-los rodeados pelo Outono. As folhas ficaram de cor laranja, amarela e vermelha, e uma macieira carregou-se de frutos.
— Abana-a, minha filha — encorajou-a Setembro, com um sorriso doce e uma voz madura.
Marusha abanou a árvore e caíram duas maçãs perfeitas. Depois de agradecer a Setembro a sua amabilidade, a rapariga levou as maçãs para casa. Holena engoliu as maçãs num ápice e pediu mais, pois tinha-as achado ainda mais deliciosas do que os morangos. Enquanto a viúva congeminava novas formas de se livrar da enteada, Holena pediu à mãe:
— Mãe, empresta-me o teu melhor casaco de pele e as tuas luvas. Tenho a certeza de que a Marusha guarda a maior parte da fruta para ela e quero ir procurar o seu esconderijo.
Depois de muito protestar, a viúva acabou por aceder ao desejo da filha. Holena embrulhou-se no casaco de pele com carapuço e saiu de casa. A arfar, e com o nariz vermelho do frio, atingiu, por fim, o topo da colina. Sem sequer cumprimentar os Doze Irmãos, ou pedir-lhes permissão, aproximou-se da fogueira para se aquecer.
O velho Janeiro perguntou:
— Quem és tu, minha filha, e o que queres de nós?
Holena sacudiu a cabeça e respondeu:
— O que eu quero não é da tua conta, velho tonto!
Janeiro, com a barba branca cheia de gelo, levantou-se, zangado, e lançou um grito que mais parecia o prolongamento dos ventos sibilantes do inverno. Holena caiu de costas, aterrorizada. Mal o velho volteou o seu bordão em torno da cabeça da rapariga, começaram a cair enormes flocos de neve. Holena fugiu do círculo de pedras e foi em busca do lugar de onde viera. Mas os flocos tinham coberto as suas pegadas e ela não conseguia encontrar o caminho. Enquanto fugia da raiva do velho, a neve ia-se acumulando em seu redor. Acabou por cair num buraco fundo, que a soterrou.
Em casa, a viúva aguardava, cada vez mais ansiosa, o regresso da filha. Vestiu o seu segundo melhor casaco de pele, calçou as segundas melhores luvas, e foi em busca de Holena. Como a fúria de Janeiro ainda não tinha abrandado, a tempestade de neve durou a noite inteira e nunca mais ninguém viu a viúva ou a filha.
Marusha continuou a ser diligente: fez o jantar, deu de comer à vaca e encheu o fuso de linha. Quando a madrasta e a meia-irmã não voltaram à noite, foi à janela ver o tempo: a neve tinha cessado e as estrelas cintilavam no céu limpo, no silêncio da noite. Curiosamente, não sentia medo ou solidão, porque sabia que os Doze Irmãos tomavam conta do ano.
Viveu sempre com as bênçãos deles no seu coração e, quando se casou e foi mãe, ensinou os filhos a ver cada mês como um tio, com diferentes prendas para oferecer, e a agradecer sempre as graças próprias de cada estação do ano.



Caitlín Matthews; Helen Cann
Fireside Stories
Bath, Barefoot Books, 2007
(Tradução e adaptação)




18.12.12

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Se é aluno/a, professor/a, funcionário/a ou pai/mãe de um aluno do Agrupamento de Escolas D. Pedro I e quiser escrever um pequeno texto sobre o(s) livro(s) ou filme(s) que enriquece(m), influencia(m) a sua vida, envie o seu texto, com as imagens à parte, para:


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Se é um visitante e achou algum artigo interessante, por favor, deixe o seu comentário - os seus autores sem dúvida que gostarão de o ler :)

 E que sejam todos bem-vindos!






Leituras de férias



Pousei o livro, fechei os olhos, 
queria imaginar este novo mundo,
 construí-lo na minha mente...





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Para que mundo te sentiste transportado(a)?

Como são as tuas leituras?
Escreve aqui ou responde por e-mail...
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13.12.12

Os nossos marcadores de livros



Disponíveis na Biblioteca ou junto dos Amigos da Biblioteca








Histórias de Natal













Menino-leitor










Natal na BECRE





Ana Borges, 
Ivone Almeida 
alguns alunos de diversas turmas 
leram poemas e outros textos, 
esta manhã, 
na biblioteca.



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11.12.12

Quero saber





Quero Saber: A revista que desperta a mente para assuntos tão essenciais como os avanços da tecnologia, a importância do ambiente, os segredos do corpo humano, a história da humanidade, os mistérios do espaço e muitos, muitos outros. 

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