BOAS FESTAS !
...Leituras & Saberes! Como me sabe bem ler, ler, ler e saber! Saber que existem páginas repletas de letras que tomam formas e sentidos, que alimentam o imaginário e provocam explosões de Sabores!
29.12.11
23.12.11
22.12.11
O presente do Povo Pequeno
Um alfaiate e um ourives viajavam juntos. Certo dia, ao crepúsculo, ouviram à distância o som de música. Caminharam mais rapidamente e a melodia foi-se fazendo ouvir, cada vez mais alegre. Esqueceram todo o cansaço da jornada e apressaram-se, para ver de onde vinha.
A lua já se erguera, quando os dois caminhantes alcançaram uma colina, de onde divisaram uma porção de pequenos homens e mulheres. Davam-se as mãos e rodopiavam com grande alegria, numa farândola animada. Cantavam ao mesmo tempo uma linda melodia.
No meio da reunião, estava sentado um velho, um pouco mais alto que os demais, e cuja longa barba branca se espalhava pela frente do seu casaco colorido. Os dois companheiros estacaram e contemplaram a festa cheios de admiração. O velho fez-lhes sinal para entrarem também na roda, enquanto o povo pequeno abria, prazenteiramente, a roda, para dar lugar a ambos.
O ourives, mais expansivo, aceitou de imediato. O alfaiate, tímido, hesitou um pouco, mas vendo como era divertido, acabou por aderir também. A roda fechou-se, novamente, e todos dançaram e pularam, com gritos de alegria. O velho, tomando uma faca que trazia à cintura, amolou-a, olhando para os dois viajantes.
Estes assustaram-se, porém não tiveram tempo de tomar qualquer atitude. O velho, agarrando o ourives, escanhoou-lhe, com grande rapidez, o cabelo e a barba. A mesma coisa sucedeu ao alfaiate.
O medo dos dois desapareceu, quando o velho, ao terminar, lhes deu uma amistosa palmadinha nas costas, como se quisesse dizer-lhes que haviam agido acertadamente, ao deixarem que lhes fosse cortado o cabelo e barba. Mostrou-lhes, depois, por gestos, um monte de carvão, mandando-os encherem os bolsos. Obedeceram, embora sem compreenderem, e foram à procura de um lugar para passar aquela noite. Ao chegarem à planície, ouviram o relógio de um convento próximo bater a meia-noite. No mesmo instante, o canto parou e tudo desapareceu, ficando apenas uma colina deserta ao luar.
Os dois caminhantes acharam um lugar coberto de palha, onde se deitaram, esquecendo-se de tirar dos bolsos os pedaços de carvão, tão cansados estavam.
Um peso desacostumado fê-los acordar mais cedo, enfiaram as mãos nos bolsos para deles tirar o carvão, mas, com grande espanto, encontraram, em lugar dele, pedaços de ouro. Agora podiam considerar-se ricos. Felizmente, o cabelo e a barba já haviam crescido. Todavia, existe gente por demais ambiciosa e, entre essa, estava o ourives. Lamentou não ter enchido mais os bolsos, assim teria o dobro do que coubera ao alfaiate.
O ourives, ávido de mais ouro, propôs ao alfaiate pernoitarem mais uma vez naquela região, para voltarem a ver o povo pequeno e o velho no outeiro. O alfaiate declarou:
– Já tenho o bastante e estou satisfeito! Agora vou poder casar-me e ser um homem feliz.
Mas estava pronto a esperar mais um dia pelo companheiro.
À noite, o ourives pendurou mais algumas bolsas à cintura e pôs-se a caminho do outeiro. Encontrou, como na noite anterior, todo o pequeno povo a cantar e a dançar, e o velho cortou-lhe barba e cabelo e fez-lhe sinal para que fosse buscar os pedaços de carvão. O ourives não teve dúvidas de embolsar tudo quanto cabia nos seus muitos bolsos e voltou, todo feliz; cobriu-se com o casaco e ferrou no sono.
“Tanto se me dá que o ouro pese”, pensou. “Suportarei tudo de bom grado.” Adormeceu com a deliciosa antecipação de acordar milionário.
Ao abrir os olhos, levantou-se apressado, para examinar os bolsos. Mas ficou abismado quando apenas retirou deles pedaços de carvão. Decepcionado, consolou-se, pensando que lhe sobraria pelo menos o ouro ganho na noite anterior. Mas ficou apavorado quando viu também aquele transformado em carvão. Inadvertidamente, bateu com a mão na cabeça e sentiu-a lisa e calva, e assim estava o seu rosto. Reconheceu, então, tratar-se de um castigo pela sua ambição.
Enquanto isso, o alfaiate acordara e agora consolava do melhor modo possível o companheiro, banhado em lágrimas de desespero.
– És meu companheiro de viagem e amigo; vais ficar comigo e gozaremos juntos da minha fortuna.
Manteve a palavra, mas o pobre do ourives teve de esconder, dentro de gorros, a sua cabeça calva, durante toda a vida.
Marie Tenaille (org.)
O meu livro de contos
Porto, Asa Editores, 2001
16.12.11
A Biblioteca está em obras
Está a ser colocado verniz no chão da nossa Biblioteca.
Quando regressarem desta pausa letiva, entrarão num espaço renovado.
Esperamos que a Biblioteca continue a ser um espaço de conforto, onde se sinta sempre o prazer da leitura.
A BECRE está sempre a a apresentar novidades e sugestões de leitura ;)
12.12.11
A última árvore
Nos arredores da cidade, viviam um rapaz e uma rapariga. O guarda-florestal visitava-os com frequência e levava-lhes sempre algo do bosque.
Às vezes, as duas crianças acompanhavam-no. Recolhiam folhas de árvores, agulhas de pinheiro e pinhas. Desenhavam-nas, em seguida, e penduravam os desenhos nas paredes da sala de estar.
O velho guarda contava-lhes muitas histórias. E, assim, as crianças foram aprendendo que os abetos cresciam nas terras mais secas, que os pinheiros podem viver na areia, e que o plátano sofre com o frio do Inverno. Também ficaram a saber que a bétula se desenvolve a norte, nas terras frias, enquanto o cedro necessita do clima temperado do litoral.
— O carvalho pode viver cem anos — dizia-lhes o guarda, enquanto caminhava pela floresta. — Os povos antigos consideravam-no uma árvore sagrada. Mas o cedro pode viver ainda mais anos. O Rei Salomão construiu o templo com cedros. A madeira destas árvores é muito resistente.
As crianças puseram-se a contemplar um cedro gigantesco cuja copa ultrapassava a das outras árvores.
— Talvez essa longevidade se deva à resina — continuou o guarda-florestal. — A resina torna a madeira mais dura. Os nossos antepassados esfregavam os pergaminhos com resina de cedro para que o conteúdo dos documentos resistisse muitos anos.
Em seguida, deteve-se um momento.
— Antigamente, os cedros cresciam junto ao Mediterrâneo. Na Arábia e no norte de África, havia bosques de cedros. Mas os homens acabaram com eles.
♦♦♦♦
Um dia, o Presidente da Câmara foi visitar as crianças e viu os desenhos que tinham feito e que cobriam todas as paredes da sala.
— Esta é a melhor maneira de conhecer a floresta — comentou, satisfeito.
E perguntou ao guarda-florestal:
— É preciso construir uma ponte nova na cidade. Terás madeira suficiente?
O guarda abanou a cabeça:
— Os rebentos são ainda muito jovens e uma ponte precisa de muita madeira. Temos que esperar.
O presidente concordou e disse às crianças:
— A floresta ajuda-nos a viver. Por muita madeira que utilizemos, a mata nunca desaparece. E sabem porquê?
As crianças disseram que não.
O presidente sorriu.
— Porque quem abater uma árvore tem de plantar outra. Há já muitos anos que actuamos desta forma.
O velho guarda concordou.
— É verdade, embora nem sempre tenha sido assim.
Depois de parar para encher o cachimbo e acendê-lo com um ramo fino, contou uma história.
♦♦♦♦
Há muitos, muitos anos, viviam duas crianças nos arredores da cidade. A menina chamava-se Lia e o menino Saïd. Pareciam-se muito convosco. Viviam numa cabana e percorriam, juntos, o bosque.
Com o passar do tempo, acabaram por saber reconhecer os vários tipos de árvores. Aprenderam que as agulhas dos pinheiros são mais claras do que as dos abetos, e que pendem dos ramos aos pares. Descobriram também que as agulhas dos abetos não duram eternamente: caem passados alguns anos e logo crescem outras novas. E descobriram que as agulhas dos cedros, de tom verde-escuro como as dos abetos, nunca caem.
Saïd e Lia estavam assombrados. Que diferentes eram as árvores umas das outras! Então, começaram eles próprios a plantar árvores. Todos os dias iam à floresta buscar pequenas árvores, que cresciam, selvagens, por entre os troncos grandes, e plantavam-nas no seu jardim. Estavam contentes, porque se sentiam como professores numa escola de árvores, que faziam com que os alunos não crescessem “torcidos”. À tarde, quando o sol tocava no horizonte, enchiam uns grandes regadores e davam de beber aos seus protegidos.
Um dia, ao entardecer, as crianças viram três homens atravessar a ponte. Os três forasteiros foram à praça do mercado, e nela depuseram os seus sacos. Neles traziam pesados colares de ouro e adornos brilhantes. Por todo o lado circularam pulseiras com âmbar incrustado, pérolas, corais e nácar. As pessoas estavam curiosas. O que quereriam os comerciantes em troca daqueles tesouros?
— Nada de especial — responderam eles. — Só queremos madeira. Muita. Toda a que vocês conseguirem arranjar. Se trouxerem muita madeira, ficam com muitas jóias.
E acrescentaram, sorrindo:
— Também pensámos nas crianças. Temos bombons, chocolate, caramelos e rebuçados.
As pessoas contemplavam aqueles adornos tão caros e sentiam-se enfeitiçadas. Durante toda a noite, beberam, dançaram e cantaram sem parar com os forasteiros.
No dia seguinte, começaram a trabalhar. E as árvores foram caindo por terra, umas atrás das outras. Os golpes dos machados ressoavam por toda a floresta. E os três forasteiros estavam contentes. Repartiam ouro e prata e levavam a madeira consigo.
As semanas foram passando. Começou a haver clareiras no bosque e algumas colinas estavam já despidas. Mas ninguém se dava conta disso. Como ninguém tinha tempo para plantar novos rebentos, a terra tornou-se áspera e seca. Os riachos tinham pouca água e só chovia de vez em quando.
À medida que o bosque ia ficando despido, as arcas das pessoas enchiam-se de ouro, prata, pedras preciosas e bijutarias. Os pescoços das mulheres dobravam-se com o peso dos colares e os dentes das crianças estavam amarelos, azuis, verdes e pretos de tantas guloseimas comerem.
Havia já muito que Lia e Saïd tinham comido os seus caramelos. Agora, todas as noites, recolhiam o orvalho em grandes panos que estendiam no chão. Com o orvalho e a pouca água que saía das fontes, regavam as arvorezinhas jovens do seu jardim. No lugar onde dantes existia a floresta, agora o solo estava árido. Se acontecesse chover, logo se evaporava a água. Os pássaros não tinham sombras e caíam, extenuados do calor, por terra. Mas todos continuavam a cortar madeira…
Um dia, encontraram-se todos em redor de uma grande árvore. Iam começar a cortá-la quando se deram conta de que se tratava do velho cedro. Toda a floresta que outrora o rodeara tinha desaparecido por completo. O grande cedro era a última árvore que lhes restava. Por detrás das colinas despidas, já se avistava o deserto.
As pessoas assustaram-se.
— Destruímos a nossa floresta! — gritaram. — O que vamos fazer agora?
Ninguém sabia. A terra tinha secado e estava toda gretada. Um vento suave trouxe alguns grãos de areia até eles. E as areias aproximavam-se cada vez mais e estenderam-se por todos os arredores. Chegaram até junto do cedro e ameaçavam invadir a cidade.
Quando as pessoas arrancaram os colares de pérolas do pescoço, viram que se tratava de bolas de vidro! Abriram os cofres e viram que o ouro se tinha convertido em metal vulgar e a prata em mica. Ficaram todos enfurecidos. Esperaram pelos forasteiros, mas estes não regressaram.
Os comerciantes contemplavam, à distância, o que restava da floresta e riam-se. Tinham madeira suficiente para construir muitos barcos e não se importavam que a cidade se afundasse na areia. Viraram costas e desataram a fugir. Mas a fuga não foi tarefa fácil, porque havia areia por todo o lado. De repente, começaram a afundar-se numa duna. Afundaram-se cada vez mais e, em breve, nada mais restava deles… a não ser um chapéu.
— O que havemos de fazer? — perguntavam as pessoas, ansiosas.
— Como podemos salvar-nos do deserto?
Então, Lia e Saïd disseram:
— Precisam de voltar a plantar árvores. No nosso jardim, crescem árvores de todas as espécies. Podemos transplantá-las. Começaremos com pinheiros e cedros, porque a areia não os impede de crescer. Quando a terra estiver a salvo das areias, traremos as outras árvores e plantámo-las junto deles. Recolheremos as suas sementes e voltaremos a enterrá-las no solo. Com o passar do tempo, teremos uma pequena floresta. O orvalho e a chuva voltarão a cair. Mas ainda falta muito tempo para que isso aconteça. Primeiro, enquanto houver água na fonte, temos de regar as árvores à noite.
As pessoas ouviram as crianças com admiração e fizeram o que elas tinham aconselhado. Trabalharam dia e noite e, por fim, voltou a chover.
E, depois de muitos meses, todos puderam contemplar uma pequena floresta.
Os habitantes respiraram de alívio. A cidade estava salva! A floresta crescia!
Um dia, chegaram junto da cabana de madeira que ficava situada no extremo da cidade. Acordaram Lia e Saïd e levaram-nos até à floresta. Uma vez lá, agradeceram-lhes e prometeram cuidar da floresta com carinho. Comeram, beberam e dançaram em torno do cedro.
E, até hoje, sempre cumpriram a sua promessa.
♦♦♦♦
O velho guarda-florestal despejou o cachimbo. O presidente contemplou a fogueira, pensativo.
As duas crianças, que estavam em silêncio, perguntaram ao guarda:
— Quem eram o Saïd e a Lia? Conheceste-os?
O guarda-florestal sorriu.
— Claro que conheci. Eram os meus avós.
Štĕpán Zavřel
El último árbol
Madrid, Ediciones SM, 1988
(Tradução e adaptação)
11.12.11
Resultados do Concurso «Thanksgiving Day»
Os alunos do 3º ciclo votaram na frase que mais apreciaram durante uma semana e ficamos agora a conhcecer os vencedores.
Frase mais votada pelos alunos:
" I´m grateful for having fish to choose my pseudonymous from
and contests like this one to win."
Pseudonymous - Tuna
Name- José Amaro
9ºB, nº 18
Frase selecionada pela equipa da BECRE:
" I´m grateful four our eyes that see the beauty all around,
for arms to hug, legs to walk and ears to hear each sound"
Pseudonymous - SCA
Name - Ana Rita
7º A, nº 3
Era uma vez, no Natal... na EB Canidelo
Foram muitas as turmas que aceitaram o convite!
Resultou numa semana marcada pela magia do Natal...
;)
8.12.11
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